Padecemos de coragem,
fé nos falta em dias tão iníquos...
Mas, os nossos, merecem herdar o alvorecer.
Merecemos de volta a fertilidade das boas palavras.
Merecemos arados, não navalhas, não espadas...
Novos profetas quem sabe,
anunciando novos tempos, outros tempos,
que tragam consigo muitas sementes,
novas sementes...
Que o sucesso seja pra nós, um abraço forte,
um olhar perdoador,
um achegar despretencioso,
nem tanto desempenhos,
nem tanto conquistas.
Que conte mais a colheita,
os frutos,
o saciar da alma,
do que a pressa,
a forma,
a rega da plantação.
De joelhos ou não,
olhar o céu,
retomar a fé,
e saber que não habitamos à margem da história.
Seja o coração a nos revelar,
desejos,
vontades,
sonhos.
Um coração pleno de sua humanidade,
falho,
louco,
injusto,
sobrevivente.
Mas sempre aprendiz.
Seja ele a nos guiar nessa colheita,
a repartir,
a doar,
a dividir.
Seja ele, terra boa para a nova semente,
água, sal e luz,
para cestos cheios.
Estes versos são frutos de um desejo "encubado". Pretendem ser poemas.São reflexos de pessoas que amam as palavras e que também me ensinaram a amá-las. Abro minhas gavetas, na tentativa de dividir o verbo e trazer á luz o que poderia "amarelar" com tempo. Tempo este que seguirá, independente de minhas escolhas. Escolhi então, repartir palavras e compartilhar a mim mesma.
Quem sou eu
- Eliana Holtz
- Obras publicadas em Antologias Poéticas: Obra:Desconstrução Antologia:Casa lembrada, Casa perdida-Editora AG. Obra: Conquista Antologia:Sentido Inverso-Editora Andross. Obras: Nó e Falta de ar Antologia: Palavras Veladas-Editora Andross. Obras: Lembrança, Intento e Flecha Livro: Banco de Talentos. Obra: Alegoria Conceioneiro para a Língua Portuguesa-Portugal: Se eu fosse lua, fazia uma noite e Os poemas: Entre nós e Medida, publicados na Antologia Poética da Câmara Brasileira de Jovens escritores-RJ Sou brasileira, natural de São Paulo, Capital. Formada em Letras, Pedagogia e Psicopedagogia. Participei de vários concursos literários internacionais e nacionais.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
Neblina
Manhã,
tem sol rastejando pelas frestas...
Hoje ele veio, deixando às claras a paisagem.
Sei-me amanhecendo também, de coração disposto a mil recomeços.
Amanheço para nova clareza,
refaço minhas sentenças.
Ontem foi a despedida da última estrela,
aproveito a manhã para extrair delicadeza,
destilar cuidados,
zelar por minhas palavras.
Estragos feitos,
são reconstruções difíceis demais...
Amanheço certa de uma breve existência, por isso tem que valer a pena!
tem sol rastejando pelas frestas...
Hoje ele veio, deixando às claras a paisagem.
Sei-me amanhecendo também, de coração disposto a mil recomeços.
Amanheço para nova clareza,
refaço minhas sentenças.
Ontem foi a despedida da última estrela,
aproveito a manhã para extrair delicadeza,
destilar cuidados,
zelar por minhas palavras.
Estragos feitos,
são reconstruções difíceis demais...
Amanheço certa de uma breve existência, por isso tem que valer a pena!
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Ineficácia
Ora segue roteiros alheios, o coração.
Não nega aos olhos o que vê, nem à boca um sorriso de contentamento.
É traidor, mas não pode ser condenado,
posto ser moldável.
Enganoso também, por supor-se onipotente,
mas não pode ser condenado por não deixar-se encabrestar,
carrega tudo dentro de si.
Ora vazio em plena juventude, quando deveria ser arrebatado.
Ora falido ao pratear os cabelos.
Ora vivo de intuições.
Vai de sobressaltos a calmarias.
Abriga vários recomeços.
É quase incansável,
é quase de barro, faz-se de novo,
e de novo.
O coração sobrevive ao amor,
só por isso deve ser perdoado.
Não nega aos olhos o que vê, nem à boca um sorriso de contentamento.
É traidor, mas não pode ser condenado,
posto ser moldável.
Enganoso também, por supor-se onipotente,
mas não pode ser condenado por não deixar-se encabrestar,
carrega tudo dentro de si.
Ora vazio em plena juventude, quando deveria ser arrebatado.
Ora falido ao pratear os cabelos.
Ora vivo de intuições.
Vai de sobressaltos a calmarias.
Abriga vários recomeços.
É quase incansável,
é quase de barro, faz-se de novo,
e de novo.
O coração sobrevive ao amor,
só por isso deve ser perdoado.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
SEUS jardins
Fiquei pensando em como seria ter sido criança nos tempos de Jesus...
Não teríamos medo de nos aproximar DELE por ter feito algo errado, nem seria difícil dizer o que estivéssemos pensando ou sentindo, se raiva, se dor, fosse o que fosse, falaríamos por inocência, por verdade, por coragem..
Todos muito bem-vindos, sem importar qual a procedência, a cor, a família ou a falta dela.
Talvez um passeio em algum jardim, falando sobre animais, sobre o que seríamos ao crescer, sobre o dia, e a comida preferida.
Imagino ELE contente por nos ouvir falar sem nenhuma madureza, de olhar profundo, infalível, adoçado de sabedoria e paciência.
Crianças naquele tempo, caminhando em plena luz.
Nós, nos tempos de hoje, vivemos de imperativos religiosos, de rituais, de decepções, sempre tentado reaprender sobre gratidão.
Nós crescemos.
Temos o coração desgastado, por vezes irrecuperável, incerto, desertificado, que escolhe por quem bater.
Nós, nos calamos quando há falha, nos falta coragem, aceitação e trivialidade.
Não sabemos mais sobre inocência, não nos sobra mais paciência e fugimos da luz...
Nós crescemos.
Vivemos outros tempos (estes de infância roubada).
...
ELE continua nos esperando em SEUS "jardins"...
"O que você vai ser quando crescer?" - mesmo que, ainda, não tenhamos resposta a essa pergunta.
Não teríamos medo de nos aproximar DELE por ter feito algo errado, nem seria difícil dizer o que estivéssemos pensando ou sentindo, se raiva, se dor, fosse o que fosse, falaríamos por inocência, por verdade, por coragem..
Todos muito bem-vindos, sem importar qual a procedência, a cor, a família ou a falta dela.
Talvez um passeio em algum jardim, falando sobre animais, sobre o que seríamos ao crescer, sobre o dia, e a comida preferida.
Imagino ELE contente por nos ouvir falar sem nenhuma madureza, de olhar profundo, infalível, adoçado de sabedoria e paciência.
Crianças naquele tempo, caminhando em plena luz.
Nós, nos tempos de hoje, vivemos de imperativos religiosos, de rituais, de decepções, sempre tentado reaprender sobre gratidão.
Nós crescemos.
Temos o coração desgastado, por vezes irrecuperável, incerto, desertificado, que escolhe por quem bater.
Nós, nos calamos quando há falha, nos falta coragem, aceitação e trivialidade.
Não sabemos mais sobre inocência, não nos sobra mais paciência e fugimos da luz...
Nós crescemos.
Vivemos outros tempos (estes de infância roubada).
...
ELE continua nos esperando em SEUS "jardins"...
"O que você vai ser quando crescer?" - mesmo que, ainda, não tenhamos resposta a essa pergunta.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Infalível fui eu, quando ouvi exageros,
um tanto de palavras na contra mão,
eu seguindo,
elas em atropelo...
Fui me blindando enquanto ouvia.
Infalível fui eu, no silêncio,
na ausência,
na impotência.
Não falha,
quando não gosto do discurso,
da conversa,
do recado,
fico encapsulada, no mais puro desprazer.
Enquanto o outro fala,
penso na neblina,
em golfinhos,
na vida de um caracol,
no caminho das formigas,
...em tudo que pode ser mais interessante
do que o interminável farfalhar de alguém!
um tanto de palavras na contra mão,
eu seguindo,
elas em atropelo...
Fui me blindando enquanto ouvia.
Infalível fui eu, no silêncio,
na ausência,
na impotência.
Não falha,
quando não gosto do discurso,
da conversa,
do recado,
fico encapsulada, no mais puro desprazer.
Enquanto o outro fala,
penso na neblina,
em golfinhos,
na vida de um caracol,
no caminho das formigas,
...em tudo que pode ser mais interessante
do que o interminável farfalhar de alguém!
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