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Obras publicadas em Antologias Poéticas: Obra:Desconstrução Antologia:Casa lembrada, Casa perdida-Editora AG. Obra: Conquista Antologia:Sentido Inverso-Editora Andross. Obras: Nó e Falta de ar Antologia: Palavras Veladas-Editora Andross. Obras: Lembrança, Intento e Flecha Livro: Banco de Talentos. Obra: Alegoria Conceioneiro para a Língua Portuguesa-Portugal: Se eu fosse lua, fazia uma noite e Os poemas: Entre nós e Medida, publicados na Antologia Poética da Câmara Brasileira de Jovens escritores-RJ Sou brasileira, natural de São Paulo, Capital. Formada em Letras, Pedagogia e Psicopedagogia. Participei de vários concursos literários internacionais e nacionais.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Laços com os braços para 2010

Para tantos foram dias difíceis, esses de 2009...para mim foram!

Para tantos, nem tanto.
Parando um pouco para refletir a gente descobre que a vida é cheia de surpresas. Descobre " um universo" naquelas pessoas que nunca paramos para conversar. Um dia a vida dá um jeito e nos colocar frente a frente. Descobrimos que perdemos tempo em não esgotar nosso estoque de atenção com elas. Descobrimos amigos.
A vida é cheia de surpresas, em 360 dias tanta coisa pode acontecer, tantas mudanças, tanto aprendizado, pode parecer que não, mas mudamos também.
Não se engane se ouvir que você continua o mesmo, não é verdade!
Descobrimos que fazer escolhas define boa parte desse ciclo. Descobrimos que nunca encontraremos ninguém que nos faça feliz se não temos felicidade em nós.
Descobrimos que tudo começa primeiro em nós.
A vida é cheia de surpresas, os filhos chegam, eles crescem e arrebatam nossos corações quando dizem a primeira palavra e depois passam a escrevê-las, ficamos cativos. Descobrimos que não cabem mais em nosso colo, passam dos nossos braços para outros abraços da vida e, nós aprendemos ou relembramos como é orar.
Descobrimos que sem fé não evoluimos.
A vida é cheia de surpresas.
Nem tudo deu certo nestes dias, projetos perdidos, alguns erros cometidos, doenças, pessoas se foram de nossas vidas e nós da vida delas.
Experimentamos o que muitos sentem: a dor. Descobrimos que nem tudo é para nós.Descobrimos que a lágrima é inevitável, mas que a alegria também é!
A vida é cheia de surpresas.
Aprendemos a amar melhor e dizer desse amor. Descobrimos que declarações e flores podem arrancar sorrisos da alma.
Aprendemos que dar passagem em vez de passar, dizer bom-dia mesmo que ele não seja tão bom assim, baixar o tom de voz, quando "tudo" está "gritando" e pedir desculpas, também arrancam sorrisos da alma. Descobrimos que nem sempre conseguimos essas coisas, mas que podemos tentar.
Aprendemos a refazer, recontar, replanejar os dias que nos restam deste ano.
Descobrimos que podemos melhorar com o passar dos anos e quem sabe fazer diferença na vida de outros.
A vida é cheia de surpresas e sempre será.
Descobrimos que os dias foram difíceis sim, mas conseguimos cumprimir mais um ano e que ainda resta um abraço para todos os que nos são queridos.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Castigo

Me obriga a dizer palavra,
ela me abriga depois?
Feito errante no branco do papel,
como se poesia fosse um dever.
Sinto abandono e solidão, nem sempre há olhos leitores.
Nem sempre há poesia.
Faço versos, vez por outra,
me faço em palavras,
me desfaço no que digo.
Dissolvendo um pouco este coração ora bom, ora não.
Me obriga a palavra.
Um grito superlativo.
Me obriga a palavra a caminhar pelo deserto do papel em branco.
Versos tiranos, são esses
que obrigam o poeta a falar,
mesmo sem nada a dizer.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Depois de ler Floral poema da abelha

Misturando a leitura de um poema com saudade,
senti na ponta da língua o gosto de maracujá doce, comia com colher e risadas.
Sementinhas regadas a infância abençoada.
Lá pelos 7, 8 anos as coisas eram pra sempre.
Inda lembro do calor das tardes no interior,
pés livres e mãos crescendo.
E fomos crescendo,
com rapidez insana para mentes eternizadas.
Éramos feito beija-flores incansáveis, flutuantes de asas mansas.
Feito aprendizes de insetos, borboletas e uns dos outros.
Vivíamos de coração afinado,
levávamos a sério a chegada da manhã.
Tudo era plural, superlativos de afetos
ávidos por mais um dia pela frente.
deu mesmo saudade...
Que nossas crianças sintam também o gosto do maracujá doce,
para lembrar quanta coisa cabia entre as sementinhas...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Tijolo

Hoje em dia mais cimentada, meus muros são mais altos.
Ainda há brechas, mas são poucas as rachaduras.
Minha alma vaza um pouco quando falta a fé,
fico tentando refluir, para não perder todo o conteúdo.
Sou  mais forte hoje em dia, não me canso de cercar-me,
certificar-me,
edificar-me.
Ficar olhando meu rosto e ver que não sou mais menina,
meu avesso é.
Aceito o amor,
o amigo,
o abrigo de um olhar.
Sou mais calma, hoje em dia,
calma nos dias de paz.
Faço guerra se a causa é minha,
embora não saiba lutar.
Me despeço das memórias, com adeus solícito.
Hoje em dia, conservo somente fotografias,
não estão mais na minha retina,
vou buscá-las quando me apraz.
Meus muros são mais altos,
construção mais senhora,
dá para ver dentro e fora,
só que agora,
é preciso escalar.
Hoje em dia, tenho menos razão,
mais sabedoria, quem sabe...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

sobre mim...

Vez por outra sinto culpa histórica, não segui alguns modelos familiares, não sou tanto de convenções, não gosto de festa, nem moro em uma casinha com chaminé! Minha fé não se prende a domingos, é de todos os dias, acordo acreditando.
Travo lutas intensas por dentro, vivo enxotando o mal, e choro mesmo quando dói o peito. Fico domando meus medos, contando nos dedos os dias de paz.
Tem dias desmistificados que me aforntam mais e fico me equilibrando em não pensar sobre mim, nem mais, nem menos, o justo. Não há remédio eficaz, há o tempo da dor passar. Sinto tanto que a vida das minhas retinas não serão suficientes para ver tudo. Tenho gavetas bagunçadas e perco coisas nelas, outras não estão perdidas só não procuro mais. Rio de mim, monólogo que faço, um jeito de passar a salvo pelos fracassos e concluir que erros me fizeram muito bem. Não deixei de ritualizar algumas coisas, como um café quente ao acordar e cultuar minhas memórias adocicadas. Sou doce, mas ácida, sou misturada com limão. Termino meus dias ansiando dizer: Hoje foi bom!
Quero ver os 5, os 25, os 35, os 45 anos da minha filha, a única conta que faço bem, e fico, diariamente, esculpindo minha velhice desde já...quero dizer lá na frente: a vida valeu a pena.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"Feliz Aniversário, filha!"

...juntando as mão,
poucas palavras,
olho o céu.
 azul feliz,
azul imenso.
...juntando as mão,
"numa" oração,
só gratidão.
Obrigada Deus,
de coração, pela linda manhã de hoje, sol e céu azul.
Obrigada, especialmente, porque o Senhor sabe que gosto disso!


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Meia hora

...o que dá para fazer em meia hora?
desejar o sol,
rascunhar uma lista,
terminar um pensamento,
uma breve meditação.
Pensar nas pessoas,
sentir saudades,
querer vê-las,
ensaiar abraços,
ter imaginação,
planejar o boa-noite de hoje,
e o bom-dia de amanhã.
Lembrar do "quentinho" do colo da minha mãe.
Lembrar do sorriso do meu pai que se foi.
Imaginar como seria se eu tivesse irmãos...
Reviver os minutos dos dia que foram bons.
Aprender com as pessoas,
desaprender também.
Dizer obrigada,
reparar um pouco nas coisas,
jogar o lixo,
ajeitar a gaveta.
Uma dose de reflexão.
Já deu meia hora.

É, a vida é rápida...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

algo de precioso

...tantas coisas impublicáveis, é a parte de mim que não tem educação, nem pudores, nem medo de perder nada, completamente censurada. Acho que são coisas que encolheram, mas continum importantes, vez por outra escrevo e não publico,   tudo ali é inconfessável, um lamaçal, uma bagunça. Me deixo ser apologética de fala apocalíptica sem restrições.
Nessas horas experimento a palavra nua, fico saboreando minhas afrontas, são horas em que  sinto o poema como pedra bruta.
Tudo o que publico, creia, foi antes lapiado!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Revisitados, alterados, relidos, reescritos...

Coreografia


Confesso, tentei.

Foi um erro pensar que seria fácil.

Nós desatados, nem sempre nos conserva inteiros.

Faltam pedaços e para ser de novo inteiros, fazemos remendos.

Nó outra vez feito. Confesso, errei.

Foi um teste, arriscar, domesticar o medo,

ensinar doçura, ir de alma sonâmbula,

acordar, sentindo falta de sonhos.

Confesso, sou repetitiva, sempre faço perguntas iguais,

meus porquês são obedientes, a dúvida cabe na minha retina.

Confesso não faço o bem que desejo, mas o mal faço.

E vou por desertos exagerados, me distraindo em visões,

tropeçando em meus cadarços, me refaço de quedas, dou novo passo.

Confesso, sou única, não abandono minha impotência,

e vivo, por vezes, de coisas mal ensaiadas.

Posso sorrir mas não garanto brandura.

Posso ter dias ruins, mas não vivo deles.

Confesso, tenho um dever, amar de forma justa,

mesmo que não faça sentido dividir o ar, com tudo que é imponderável.

Sempre abrigo vendavais em mim, sempre irei acolhe-los,

sou inconfessável por fim?

Confesso, vou vivendo, entre guerras e tréguas, perdoando, ofendendo.

Confesso, tentando acertar o passo para um dia acertar a dança!



Nascimento

Faz a colheita, em cestos de graça,

é minha vez.

Separa, o bom do ruim.

Ampara minhas partes vivas, enterra minhas raízes,

mostra que as cicatrizes, agora são só marcas.

Faz a colheita, em cestos de graça,

é minha vez.

Já passou a flor, já brotou a semente,

já carregou o céu, a chuva inundou.

Cestos de frutos, a céu aberto, colhidos em mim,

Já faz tanto tempo, colheitas passadas,

sem frutos, sem flor,

recém plantadas, sementes ceifadas,

nada brotou.

Terra sem chuva,

coração sem fé.

Encha-se os cestos de graça,

frutos que não cabem nas mãos,

encha-se os cestos de graça,

e planta outra vez, as sementes,

... em mim, que sou terra fecunda.

*Selecionados pelo Banco de Talentos - Febraban 2009

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Deseducado

...enfim, fim da segunda-feira.
Deveria ser dia sem inquietações,
somos guerreiros que não queremos ser,
temos problemas que não queremos ter,
vivemos de prontidão.
Deveria ser dia de abrir cadeados,
de começo,
de abraço,
de bom-dia recheado, legítimo!
...enfim, fim da segunda-feira.
todas as tomadas desligadas,
e no trinco, um "nao perturbe",
 no coração a esperança de uma segunda-chance! (com licença poética)

domingo, 25 de outubro de 2009

...momento Charlie Brown

...não sabia, as coisas adormecem mesmo, ficam por um tempo, mansas, brandas, amenas dentro de nós. Esquecemos delas, nos entendemos curados, livres, salvos. Um dia, acordam, despertam e voltam para nos encontrar.
Aí, que incômodo, entender as coisas!
Na verdade eu sabia sim, a gente é que vive "pisando em ovos" não fazendo barulho para elas não acordarem!


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

...na últimas horas do dia, lembro dos versos de Carlos (como se fóssemos velhos conhecidos, me pemito chamá-lo assim, mantendo a simplicidade que deveria haver em tudo).
 "Eta vida besta, meu Deus".
A vida vai enviesada, vazando pelos vãos dos dedos, talvez escrever seja uma forma de tentar represar um pouco o tempo que passa.
Folheando meus livros li com olhos mansos  algo mais ou menos assim: a vida se perde porque a gente vai pela contra mão, começando com afirmações e se esquecendo das perguntas, nossas dúvidas poderiam ser lupas na descoberta de respostas, ficamos com as certezas adultas e deixamos de lado os porquês infantis...agonizamos desistindo do bem, aceitando o mal.
Engolimos coisas e pessoas às lascas e nos acostumamos.
Carlos tinha razão.. "Eta vida besta"

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Quarta de chuva

Bem verdade, não digo tudo, concordando aqui com a reflexão  de agora. Não sou de todo desprendida, me apego. Não encaro as despedidas com calma, não, a ida de alguém sempre me deixa mergulhada em um imenso solitário. Quando sou eu quem vou, fico imaginando o que sentem na minha ausência, isso assusta, assusta ficar sem saber se faço falta ou não... Vejo maturidade na minha pele, em minhas mãos e no jeito de ver as coisas, mas por dentro ainda sou de seda, sou menina, e vez por outra não faço questão alguma do espelho que me mostra o lado de fora de mim. Me canso, há dias que mais, não estou sempre disponível e desejo muito que percebam minha fragilidade, porque não levantar a voz não quer dizer passividade. Luto para não me deixa soterrar, ora vou com "unhas e dentes" sem me peocupar com os aranhões. Ora nem saio do lugar. Se a luta não vale a pena, porque doar-se? Algumas vezes não sei o que dizer e muitas vezes acho que complicamos muito a existência, tentando provar quem somos, esquecendo que há coisas que nunca seremos. A gente sofre criando alvos, aprendendo teorias, tentado ter razão. Nos dias de hoje, somos impróprios se a face cora, se não temos opinião sempre, se preferimos o silêncio. Somos impróprios se somos anônimos. Há moldes aos montes por aí e a medida que nos deixamos nos conformar, não notamos mais as pessoas, e esquecemos pequenas gentilezas e vamos perdendo a cor, até sumir na história.
Nos impomos dores, das mais diversas, porque dói o insucesso, a perda, o pré-conceito a voz áspera do outro, lixando nossas partes vivas...vai ver a gente deixa que isso aconteça. Não podemos controlar a conduta alheia, só a nossa.
Deveríamos viver e não só existir, marcar a vida com as nossas cores originais e não com as tintas que nos tingiram. Nos tempos de hoje respiramos exigências e nos apontam modelos poucos serão os iluminados para pagar o preço imposto.
Hoje termino assim: fiz o melhor que pude!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

é primavera

Meu coração continua povoado, por isso volto.
Me descogelando.
O bonito está no que lembro.
Meu coração segue protegido.
Ensaiando equilíbrio entre  a razão e a sabedoria.
Inda sou de exageros, e sofro de impanciência.
Talvez nunca mude...
O amor me redime.
Nasci um tanto poética e me falta a lógica.
Já perdi o medo de ficar sozinha, se um dia eu ficar!
Solidão é refúgio um aprender a ver-se.
Farejo sonhos, mas não vivo deles.
Vivo de realidade superlativa, um tanto dolorido isso, mas conheço bem o chão.
Me faltam as nuvens.
Aceito saudades.
Pretendo florescer.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Spa

...pretendo alguns dias de silêncio, de ausência, sem poemas, nem dilemas, nem palavras. Estou quieta o bastante, para saber parar.  Gavetas trancadas!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Iceberg

Ando desviando,
arredondando o que não dá certo,
ajeitando para caber sem sobra,
sem dobra,
nos ocos que tenho.
Fico na luz e na sombra.
Cansada de preencher espaços,
esperando alguma recompensa.
Ambiguamente vivendo, entre maldades e virtudes.
Deslizes e acertos,
com um aperto no peito,
um grito calado,
o bem adormecido,
submerso.
Tudo o que consigo,
é ser um pouco mais dócil na sombra.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Flor de ferro

...aqui conta a poesia, coisas da imaginação cintilante de gente que sente e trasnforma sua voz em verso. Poetas são almas alucinadas que se disfarçam no dia-a-dia, mas que se libertam diante de uma folha em branco.


Tenho uma sensação apocaliptica ao escrever, e haja resistência para corações que se dilatam de esperança e se trincam diante do gélido vento da realidade. A evolução tem preço alto. As teorias são cruéis, os modelos impraticáveis, as pessoas tóxicas. Vivemos noites mal dormidas, comemos comidas mal feitas, aceitamos açoites verbais, abaixamos a cabeça diante das cenas impróprias, relaxamos diante do espelho...cabelos muito mais brancos que deixam de nos dar orgulho, representam o tempo passando em desatino. Aceitamos soluções sintéticas para ser resilientes. Não nasci assim, absorvendo baques e me anestesiando diariamente, antes de sair de casa. Não nasci assim, evoluindo para ter anticorpos contra venenos e contra pessoas. Não nasci assim, sendo consumida pela falta de temperança, para coisas feitas "por baixo dos panos", para dar "jeitinhos" nem aceitar o hostil revelar-se da alma humana.

Tenho uma sensação de que não precisamos marchar rumo a domesticação, tendo fé equivocada, sem saber quem somos. Tenho a sensação de que estamos sempre sendo "caçados" mesmo que de forma gratuita.

Tenho a impressão que a culpa é nossa, todos nós que vamos aceitando, relevando, nos moldando, deixando a vida se esvair pelos dedos dos outros, nós que de algum jeito deixamos nossas vidas em mãos esmagadoras.

Nasci poeta, tenho olhos assim, retificadores e lampejos de bondade, nasci me refazendo, não cheguei calada, chorei muito me anunciei.

Tenho a sensação de que acredito em fragilidades, na tristeza das pessoas, no pedido de ajuda, na aproximação, no antídoto para o veneno.

Não passou, ainda tenho uma sensação apocalíptica.

Não se respeita as pessoas, que não fazem do tempo dinheiro, que evitam conflitos, que exercitam o perdão.

Preciso ser desintoxicada, ainda perco as estribeiras com insultos, ando inquieta, vingativa e que ninguém ouse achar que não!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Hoje tô assim

Paciência

LenineComposição: Lenine e Dudu Falcão

Mesmo quando tudo pedeUm pouco mais de calmaAté quando o corpo pedeUm pouco mais de almaA vida não pára...
Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsaA vida é tão rara...
Enquanto todo mundo
Espera a cura do ma
lE a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão raraTão rara...
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...
Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão raraTão rara...
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara
A vida não pára não...
A vida não pára!...A vida é tão rara!.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Causa mortis

"Pra" mim não há cura, sofro de palavras, de todas que sei,
Padeço de escrever, o que sinto, o que vejo, o que penso.
Fui contaminada, das boas, das más, aprendo a doer por tudo o que digo.
Sem tratamento, meu fim será sempre um poema reparatório, ou outro de acusação, ou outro lamentando todos os poemas que não são meus.
Doença: inveja literária.
Quem sabe ainda curo alguém,
com as palavras que sei.
Não sei se fecho feridas, mas a cada palavra minha, em mim, abro outra dolorida.
Sem bálsamo algum vou morrer de palavras,
porque é delas que eu vivo.
"Pra" mim não há cura...

terça-feira, 28 de julho de 2009

de olhos bem abertos

...é cedo, ainda escuro lá fora, minha urgência é de realidade, sonhar nem sempre é bom, tem uns que remexem demais a terra da alma. Acordei assim, tateando a manhã, ainda me livrando dele (o sonho).

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Eu depois de anoitecer

Nesses contornos que me dou, refaço sempre o desenho que sou.
Sei-me algo inacabado, parte de mim não sai do rascunho, falta traço.

Quem me desenha não tem talento, vou sempre me retocando. Fico no escuro do quarto me tornando inofensiva, quieta. Inquieta nas vontades. Primeira nas vaidades, ainda maturando diante do espelho. Fico em cascas, sem culpa por nutrir raiva, mas sem querer viver nela. Eu mesma me carrego no colo, acreditando que sei o que faço. Fico ninando meu ego, certa de que o sono virá. Sono não é descanso, nem tudo está refeito ao despertar. Deixo de lado os contornos. O que penso sobre mim ainda carece retoques. Não via ainda quem não precise de borracha. Fico entre rir e chorar ambos me fazem bem. Vou passar. Há coisas que já não faço: encarar o sol sem protetor, estar na multidão, viagens sem conforto, madrugadas sem dormir, dietas insanas, não sair sem relógio,viver dando explicações, tentando falar quando não me ouvem, me desdobrando para ser vista. Não me interessam os belos discursos tão distantes da ação. Vou passar e me dedico em aprender mais sensibilidade do que o "tecniquês vazio" que nos é imposto. Me dedico ao direito de ter razão e discordar. Me dedico a querer ofertar flores, sem o rótulo da insanidade. Quero ter a sorte de encontrar boas parcerias por onde eu for, gente que queira a melhor parte de mim. Que minha trajetória seja feita de saudade desses seres raros que despertam a vontade de poetizar os dias e cumprir o dever. Quero muito, no meu quarto escuro, nas noites minhas, rasgar um sorrido só por saber que não é devaneio, mas é possível. Quero viver entre os sobreviventes*, esses sim, sabem povoar o coração com suas experiências e sabedoria... Primeiro o prazer, o prazer de estar lado a lado com quem sabe cumprir seu dever! E isto não é um belo discurso, passa a ser uma busca!

*sobreviventes: todos que pelo caminho, tentaram ser feliz!!!

Eu outra vez...

Abraço Drummond, li com a alma: "Porque eu sou do tamanho daquilo que sinto, que vejo e que faço, não do tamanho que as pessoas me enxergam...."
Em dias assim, transtornados, onde procuro o endereço da verdade, me apego ao sábio meditar dos poetas, que imagino terem recebido na vida todo tipo de rótulo. Quem já revelou um dia, uma pontinha de sensibilidade, já foi tachado de fraco. Quem já arriscou inovar em um universo de regras, levou a pecha de não ser sério. Quem já arriscou um passo que não deu certo, o viram despreparado... e quem está pronto?
Mas aprendo a ter calma, e se me calo, mais tarde eu falo. Que ninguém se engane!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Coreografia

Confesso, testei.
Foi um erro pensar que seria fácil.
Nós desatados, nem sempre nos conserva inteiros.
Faltam pedaços e para ser de novo inteiros, fazemos remendos.
Nó outra vez feito.
Confesso, errei.
Foi um teste, arriscar
domesticar o medo,
ensinar doçura,
ir de alma sonâmbula,
acordar, sentindo o cheiro da anestesia.
Confesso, sou repetitiva,
sempre faço perguntas iguais,
meus porquês são obedientes,
a dúvida cabe na minha retina.
Confesso não faço o bem que desejo,
mas o mal faço.
E vou por desertos exagerados,
me distraindo em visões,
tropegos pés,
queda e mau gosto.
Confesso, sei que um dia fui eleita única,
não abandono minha impotência,
e vivo, por vezes, de coisas mal ensaiadas.
Posso sorrir mas não garanto brandura.
Confesso, tenho um dever, amar de forma justa,
mesmo que não faça sentido dividir o ar,
com tudo que é imponderável.
Sempre abrigo vendaváis em mim.
sempre vou acolhe-los,
sou inconfessável por fim.
Confesso minha sede de água viva.

terça-feira, 14 de julho de 2009

...todo mundo já sabe o que é "eternidade" quando está esperando por alguma coisa, a espera tem lâminas, quem irá cuidar dos cortes?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Tinker Bell

... termino assim: queria dedos mágicos e um tanto de razão para que me coração fique calmo.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

por um café

...quem derá, agora, pudesse eu apreciar meus refúgios:

um parque sem muita gente, para caminhadas que anestesiam um pouco a pressa dos passos diários.

uma livraria grande para folhear coisas que sempre acho que eu deveria ter escrito.
(sempre vai uma invejinha branda pelas palavras desses autores!)

um café quentinho com aquelas bolachinhas açucaradas, servido na úlitma mesa do lugar, de onde dá para ver quem entra, quem sai, o jeito das pessoas, dá para deixar o pensamento "solto", que vai sempre até os "rostos" que amo.

um golezinho de vida, sei lá...tão fácil "um momento" feliz!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

EU, DE NOVO, E PRONTO

Bem queria escrever mas, hoje, estou "impublicável"...

EU E PRONTO

Tô assim, uma bagunça, tudo pelo chão... sei que as coisas estão por aqui, só não lembro onde estão, sei que estão porque:

Já me doe, doeu, passou.
Já perdoe, a mágoa voltou.
Já abracei, fiquei sozinha.
Já caminhei junto, cansei também.
Já fiz um mundo da minha casa, era pequena demais.
Já sai, abri as portas, me perdi.
Já voltei, mas quero ir.
Já me conheço, mas me descubro.
Já chega...
Tô assim,
cumprindo hora na vida.
Tentando descomplicar.
Cabelo liso ( comprei isso, não são!)
Em paz com o espelho... não mudo muito.
Mantenho a graça, o sorriso,
caminho devagar,
constante,
ninguém imagina quando vê: sou o caos, vestida de calça jeans...

sábado, 20 de junho de 2009

Invasão

Bateu a saudade.
Sentimento invasivo, não sei se deixo ficar.
Tá aqui, entrando nas minhas lembranças,
sentando nos meus sofás.
Fica, intrometido,
pinçando meus guardados,
coisas esquecidas,
cantando músicas,
falando versos,
fazendo bagunça no ques está certo.
Saudade chega, não avisa e entra.
Vai ver é bom,
quem sabe o tanto?
Lembrar de sons,
gosto,
um rosto visto há anos.
Não nego, saudade tem
sua mágica,
traz tudo na mesma hora.
Vai ver por isso se chora,
por isso alegria se mistura,
por isso a lembrança esfria.
Sei lá... saudade.
Mas tô aqui, repaginando o tempo,
vai ver é bom,
esse encontro.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Nascimento

Faz a colheita,
em cestos de graça,
é minha vez.
Separa, o bom do ruim.
Apara minhas partes vivas,
enterra minhas raízes,
mostra que as cicatrizes,
agora são só marcas.
Faz a colheita,
em cestos de graça,
é minha vez.
Já passou a flor,
já brotou a semente,
já carregou o céu,
a chuva inundou.
Cestos de frutos,
a céu aberto,
colhidos em mim,
Já faz tanto tempo,
colheitas passsadas,
sem frutos,
sem flor,
recem plantadas,
sementes ceifadas,
nada brotou.
Terra sem chuva,
coração sem fé.
Enche teus cestos de graça,
frutos que não cabem nas mãos,
enche teus cestos de graça,
e planta outra vez, as sementes,
...em mim, que sou terra fecunda.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sobre as água - reedição

Tudo oscila, e fica marejando minha existência.
Minha ausência,
contamina o pouco do que mantenho da Sua presença.
Insistente essa zanga engaiolada
que fica na minha alma.
Não é coisa para deixar solta.
Insistente essa zanga....
Revira-se,
Pragueja,
inclemente,
inadequada,
se alimenta de mim, aos poucos,
por ora está trancada.
Sou de águas agitadas,
sem calma,
sem beira,
sem chão.
"Quem é esse que acalma o mar?"
"Quem é esse que anda sobre as águas?"
Tudo oscila, e fica marejando minha existência.
...mas, sempre houve terra firme, bem próxima de mim.


*virou música, letra ajustada de leve por Fábio Silva, música dele também.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Certezas

por Mário Quintana, por mim, por você também!

Não quero alguém que morra de amor por mim…Só preciso de alguém que viva por mim,que queira estar junto de mim, me abraçando.Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade. Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…E que esse momento será inesquecível..Só quero que meu sentimento seja valorizado.Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,que faço falta quando não estou por perto.Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele. E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo. Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe… Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz. Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz. Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”. Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros…Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento. Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…Que o amor existe, que vale a pena se doar as amizades às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…e que valeu a pena.


*Mário Quintana

terça-feira, 2 de junho de 2009

Cimento

Vou ser uma voz,
por missão, falar.
Vou ser um presente,
por acaso me doar.
Vou ter piedade,
em mim dói também.
Vou relevar,
os discursos,
aceitar os frutos,
vou saber quem são,
pelos frutos que dão.
Vou vestir a camisa,
acredito.
Vou dizer quem sou,
aos poucos.
Vou mudar meu jeito aflito
dar sentido  ao que desajeitado,
trago no peito.
Vou amar agora,
e depois também.
Vou embora.
Vou fazer poesia agora,
e depois também.
Vou ceder
já neguei.
Vou seguindo,
chego lá.
Vou sozinha,
para encontrar.
Vou assim,
com tempo para tudo,
experimentando...
Quero,
isso não,
isso sim,
Vou assim me construindo,
cimentando as coisas.
Demolindo,
refazendo,
e, de coração aberto,
vou assim... 

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Vigilia

Das frestas
das minhas arestas,
ai que sem força,
sem jeito também.
Nem tem mais dever,
vai meu querer,
um instante na noite...

Da voz quase pouca,
tarefa que tenho,
viver heroína,
saber que não sou,
viver contamina,
a sã parte minha,
o modo que venho,
o que não tenho,
e como estou.

Me enclino,
confesso,
um dia eu regresso.
Soluço,
compasso da lágrima,
de ver,
e dever ao céu uma prece.

Que não me apresse,
a alma teimosa,
a ser redimida,
render-me a sofismas,
em nada indulgentes.

Que não me apresse
a mente inquieta,
discreta que seja,
por mais que esteja,
entre achar-se
ou perder-se.

Que não se esvaeça
o espírito por cumprir,
dias sem ânimo.
Clamo.
Peço.
Suplico.
Um momento na noite,
para Deus,
que nunca dorme.

domingo, 24 de maio de 2009

5h00

Minha janela confessa um céu tingido.
Sol aquarelado.
Indo, de rastro avermelhado.
Sem esforço,
ganhei um fim de tarde.
Assim eu vou,
dissolvida nas nuvens.
resolvendo minhas cores,
bem querendo logo amanhecer
... e a noite ainda por vir.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Medida

Hoje eu queria dizer,
que te amo.
Não reclamo.
Nem levanto bandeira.
Amor desfrutado,
de gosto,
e desgosto também.
De jeito.
Um dia a mais não significa futuro.
Irrepetivel, não refaz o passado.
Estar no meio do mar,
não é ter navegado.
Hoje quero dizer que te amo.
Como posso.
Não um amor de "jeitinhos",
só conheço o esmero,
o melhor,
o mais puro que tenho.
Excelente.
Te amo assim, refinando sempre.

domingo, 17 de maio de 2009

Antídoto

Nada tenho de feio, hoje é um dia invertido. Só quero ser otimista. Vou olhar a vida, ter esperança e acreditar para sobreviver, explicar algo para alguém, sorrir. Quero conselho e versos... Otimismo e caos não combinam... Levo brandura nas veias, vontade de gritar: eu sou!  sem medo e sem culpa, para tudo.  Oferto paz, paciência, tenho de sobra arranhões sendo curados, outros ainda doendo. Também sou feita deles. Hoje tudo é renovável. Hoje me deixem ser lenta,  há sol lá fora, e o o dia começa. Preciso de espaço, do lado certo, da direção, da luz. Meus quereres amanheceram, na faxina dos pensamentos mais impróprios, mais proibidos, nus quando bate a luz, encaixotei raivas e os tais irretocáveis. Cores claras, ainda desnecessárias, rostos angelicais são para os divinos. Hoje tenho uma vontade consentida. Uma palavra na boca. Uma dose de bondade refinada, afofada, juntando os pedacinhos do delicado que desfiz dia desses. Apropriado. Olhares de comparação, elogios tolos e ocos foram abandonados, as hipocrisias continuam, hoje, do lado de fora. Inteligente é reverter, retornar, fazer o contorno, abraçar. Que falem... Hoje tudo é renovável. De paz desejada, uma comunhão consentida. Um dia de sol. Um palavra na boca.
Por ora, trégua.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Escorpião

Nada tenho de bonito, hoje é um dia enraivecido. Não quero ser otimista. Vou chorar meus mortos, não ter esperança, nem ter que acreditar para sobreviver, nem ter que explicar nada para ninguém, nem sorrir. Não quero nenhum conselho, nem versos de auto-ajuda (alías nessas horas acinzentadas, são os piores). Otimismo e caos não combinam... Levo uma fúria nas veias, vontade de gritar qualquer bobagem contra as convenções, regras, chatices, e ser sem medo, sem culpa, sem o "bendito" limite para tudo. Nada de brandura em dias como estes. Não oferto calma, nem paciência, tenho de sobra arranhões, doendo... Também sou feita deles. Hoje tudo é impreciso e misturado, vago e amorfo. Hoje me deixem ser lenta e inesperada.Preciso do opaco, do avesso, da contradição, da sombra. Meus quereres são"noturnos", na umidade dos pensamentos mais impróprios, mais proibidos, nus quando bate a luz. Seria a vingança perfeita, fazer tropeçar os irretocáveis. Nada de cores claras, irritantes, rostos angelicais afrontando meu direito de ser asfixiante. Hoje tenho um vácuo inexplicável e desejado, uma solidão consentida. Um veneno na boca. Uma dose de maldade refinada, áspera, cortando em pedacinhos tudo que é delicado. Apropriado. Convencional. Dispenso olhares perfuradores de comparação, elogios abandonados na hora vazia de conversas tolas e ocas, hipocrisias implacáveis, dissolvendo minha inteligência. Que se calem... Hoje há um vácuo inexplicável e desejado, uma solidão consentida. Um dia de nãos. Um veneno na boca.

E se hoje fosse assim?

Sem gaguejar, pedir desculpas.
Sem corar aceitar elogio.
Sem querer, esbarrar no seu braço.
Sem perceber, ter suas mãos.
Sou amadora no que faço,
mas vou escrever...
Sem querer alguém vai ler,
me faço em recados,
vou me exceder, só hoje.
Se eu me repetir, paciência.
Se eu me confundir admito.
Se eu demorar me espere.
Se eu não for, direito.
Se eu me amar, dever.
Aceite.
Seu for diferente.
Em tempo,
em verbos,
no que sou.
Se meu tirocínio ofende.
Aprenda também.
De que se defende?
Se eu não acabar o que comecei,
alguém há de terminar.
Se eu não me obrigar,
Se eu não continuar.
Se eu mudar.
Aceite.
Em tempo
estou,
estranhamente,
não agravo mais o que dói,
o que não quero,
o que não concordo,
o que é seu.
Me fascina ser feliz,
meu recheio é a vida.
Se esperam muito ou pouco,
minha conquista,
é aproximar-me de mim.
Não sou metida a besta,
Porque sempre aprendo,
de desaprendo.
Hoje tenho o coração inquieto,
irredutível,
inegociável.
não faço acordos.
Não abro mão.
Hoje é assim.

domingo, 10 de maio de 2009

Inha, inha...




Há uma musiquinha,
tô reparando,
nas formiguinhas.
Tudo tão cor-de rosa...
Cadeirinhas,
mesinhas,
canetinhas.
Deseinhos,
fitinhas...
A vida cabe nos "inhos" e "inhas",
em neologismos pueris,
em "bonitinhos" enfeites de cabelo,
carrinhos,
ursinhos,
Tô reparando que somos desdobráveis,
nós que temos "inhos" e "inhas" (menininhos e menininhas, tenham eles muito mais de 8, 18, 28, 38, 48, 58...)
Há uma musiquinha,
e dançamos,
e cantamos,
e fazemos festa na alma inteira.
Nossos "inhos" e "inhas",
ainda não sabem,
que cabem em nosso abraço,
não importa o tamanho,
a estatura,
a largura.
Há uma musiquinha...
um som perfeito,
um dueto entre as mães e seus filhos.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Chronos

Tenho uma vida agendada.
Hora para mandar o sono embora.
Hora para comer sem que o corpo me peça.
Hora para uma conversa,
um café,
um acordo.
Meu dia na agenda é ferido,
finados.
Gente indo, eu chegando.
Era minha hora,
era a hora deles.
Ambos, recebemos visitas.
Eu sobre a terra,
eles sob a terra...
Hora certa é sempre quando ainda dá tempo.
Para uma abraço,
um passeio,
uma brincadeira qualquer.
Hora certa é almoçar junto,
tratar dos assuntos,
sem querer ter razão.
Uma foto surpresa,
migalhas na roupa,
molho de tomate na calça nova.
Reclamação.
Hora certa é escolher um filme,
abrir um chocolate,
rabiscar um desenho falando ao telefone.
Ir até onde o outro está.
Tenho vida agendada.
Viciante  6h00 da manhã,
para mim ainda madrugada.
Não acerto meu atraso.
Agenda descabida.
E a vida vai, no tempo marcado.
Aos 8, queria os 18, aos 18, 28...
e agora só quero mais tempo,
para tudo o que é alvo do meu amor!




quarta-feira, 6 de maio de 2009

Mercê

Todos os meus saberes ,
toda a minha fé,
a contrução que me fiz,
vive aqui,
abalada,
sem resposta,
rachada.
Luto com o imperdoável,
com a impotência da minha matéria,
com o "nada posso fazer",
feito sino, badalando verdades.
Tenho camadas, sou feita delas.
Arranharam minha superfície.
Careço de sorriso.
Tenho a realidade modificada,
invadida.
Mudou tudo.
Pensando, não preciso de Babel,
chegar mais perto do céu.
Desisti de me fazer um títere.
Não sou, nunca fui.
Mas, queria,
queria muito não ter que esperar,
ter a solução,
matar a causa,
dissolver os calos criados,
nos meus lados vivos.
Ter isso não é proteção.
Não posso.
Todas.
Cada camada minha,
sente a humanidade,
que eu tivesse a Excalibur,
seria artefato,
aprendo realidade.
Diante dela,
só contingências me sobram.
E, sei,
preciso viver com certa blindagem,
mas não estou livre das balas!




* ...da camada mais funda que tenho onde sinto a ponta da espada, descarto Arthur, sou de outro Rei!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Inverno

...amanheceu, um friozinho intruso deixa o o sol tímido.
Já está na hora de roupa quente, e abraços.
Um chá e luvas.
Mãos dadas.
Está na hora do calor do outro.
Frio feliz.
Amor de 4 estações.
De sobra na dispensa da alma.
Calma para esperar florescer.
Sol outra vez.
Amor de 4 estações.
Eu tenho.
Lindo!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Efeito

Que nome terá essas,
adocicadas sensações que todo mundo sente?
Reclamam os sentidos,
suam as mãos,
estremecem as pernas e por fim, falta a voz.
Ficamos a céu aberto, expostos.
Vítimas do ridículo absoluto.
Que nome se dá para a vontade viajante,
ora está no beijo,
ora em um abraço,
ora faz desejar o outro como ele está.
Que nome se dá para uma paisagem de porta retratos?
Uma passagem pelo futuro e ver-se ali lado a lado,
voltar, e continuar lado a lado...
Que nome se dá a um sorriso antecipado?
A ausência endolente,
faltando o cheiro,
o jeito,
o gesto, do outro?
Que nome tem o outro?
Tem esse que veio ao pensamento.

terça-feira, 21 de abril de 2009

21 de abril

...sua independência foi o céu,
deve ser céu de abril,
de azul largo,
limpo,
desses que temos aqui.

...ganhou o ar,
um corpo saudável,
e longas conversas com o "Autor da história".

...ganhou sorriso,
deixou também.

Lembrando que seriam 68,
(número breve para a existência).
Seria hoje em céu de abril...

...ganhou a eternidade.

(meu pai, faria hoje, 68 anos, mas se foi cedo, teve pressa em viver. Não trocaremos abraços, mas meu coração tão feliz, se lembra do último que ganhei. Tivemos corações convertidos, um ao outro, nenhuma palavra se foi com ele e nenhuma ficou comigo, falamos. Sabemos, 30 dias, muitíssimo pouco para exercitar um amor de muitos anos, mas foi assim, 30 dias que voltei para o colo dele, feito a menininha lá dos idos de 70 e pouco, quando nasci. O cenário não era dos melhores, UTI não é cenário, são os bastidores. Esperamos que "ensaiando vida" ele viesse abrir as cortinas, estaríamos com ele, certo que sim. Mas, daquele novembro em diante, ele saiu de cena, Deus tinha outros planos. Nós que ficamos, sabemos que é preciso amar as pessoas "como se não houvesse amanhã" ...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

5 minutos

...com as palavras que sei, com todo o viço.
Sem joelhos dobrados, nem mãos juntas,
nem olhos fechados.
No silêncio,
na verdade da noite que termina.
Meu coração, em tantas coisas clandestino,
abriga gratidão sem fim.
Fui ver o que se define por ressurreição:

ressurreição
s. f.
1. Acto de ressurgir.
2. Vida nova; renovação.
3. Reaparição.
4. Cura extraordinária, inesperada.
5. Festa cristã da ressurreição de Jesus Cristo.

E, com cara de páscoa*, entendi.
com as palavras que sei, agradeci,
em pé,
perto da janela, olhando o céu de abril...
Foram cinco minutos com ELE,
que é o dono da eternidade.
"Obrigada Deus, SUA vida,
reaviva a vontade que tenho de nascer de novo todos os dias,
melhor,
mais sábia,
mais justa, sem nunca perder a doçura,
em tempo algum".



*com cara de páscoa: rosto alegre, pessoa risonha e prazenteira. (segundo o dicionário)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pausa

Descobri a pouco,
a luz batendo em olhos incomuns.
O coração tem raízes,
o meu tem.
Tenho muitos "porques",
hoje não vou revirar minhas razões.
Não vou ser deselegante com a descoberta.
Olhos são incomuns,
os meus são.
Não vou apartar minhas brigas.
Não vou refletir.
Não vou negar o beijo.
Não  vou cruzar os braços.
Abraço é contornar o outro,
uma forma, aconchegante, de entender um lúcido afeto.
O meu é.
Andam a distância que for,
quando o destino é promissor.
Eu ando.
Não vou separar isso daquilo.
Somos misturados.
Eu sou.
Minha cisma é pensar, que posso transformar prata em ouro.
Eu posso.
Pois tudo que tenho é valioso.
Pois tudo o que sou pode ser lapidado.
Como o sol quando nasce, brilhando mais,
e mais,
e mais,
até ser um dia perfeito.
 




segunda-feira, 6 de abril de 2009

Vou

Posso querer outras coisas,
com afeto,
com vontade gostosa,com cara indisfarçavel.
O que é desconhecido,o desafio,
o outro passo, mexem comigo.
É de efeito vital,
esvaziamento de saberes,
para novos saberes.
Fico sob suspeita,
de que vou sem pressa,
mas sedenta.
Sob olhares,
sob afagos,
sob acenos.
Sobre tudo vou,
certa de que posso ter outras coisas.
Com projetos,
com afeto,
com promessa.
Prometo a mim,
ser aprendiz.
Posso fazer outras coisas,
edificar a mim.
Eu vou num caminho de ensaios,
até a cena ficar perfeita.

domingo, 5 de abril de 2009


Isso é de Mia Couto, que agora empresto:

"... (a ele) deram transfusão de sangue. Para mim, o que eu queria era transfusão de vida, o riso entrando na veia até me engolir..."



Domingo pela manhã

Meu ser inteiro é humano, meu coração abrigo das fontes da vida. Minha mente, armazém das minhas ações, cada parte de mim completa a plenitude terrena.
Sei que acordo, vejo o céu e penso que um dia estar lá, quase todos queremos um céu habitável. Ninguém quer o inferno. Inverno eterno. Queremos o sol do paraíso. As ruas de ouro e muito riso. Nada de chorar, ranger dentes e ser destinado a perdição. Penso outra vez, em como fazer um convite para Deus, como ELE pode morar em tão pequeno coração? Como ELE pode entrar por uma única porta trancada? Como DEUS pode morar em um coração? Literal como sou, esqueço que há metáforas na fé. Penso nas várias coisas ensinadas sobre Deus, a QUEM nunca vi com meus olhos reais, e que sempre procurei nas várias teorias que um dia ouvi. Não dá para ver a DEUS, mas passei a imaginá-lo, já que fui criada com essa capacidade inventiva. Meu dilema é me aproximar do que sempre foi tão intangível, Deus. Quais palavras ter com ELE? Como pedir licença para entrar no templo?  com véu, sem véu?  que roupa devo usar para uma "audiência" com Deus?
Nossa, tenho tatuagem, e me disseram que é coisa do capeta...como agora, vou falar com Deus? mas tenho outras marcas também, por exemplo, das escolhas onerosas que fiz, para mim também são tatuagens do lado de dentro.
Ouço Caetano, Chico, Tom, tomo cerveja gelada no calor de um dia de verão,  penso poesias. Me distancio do divino? Não são coisas da criação?
Meu ser inteiro é humano, vivo em um mundo de guerras e flores, minha sala é cenário de madrugadas insones,  e saio de manhã ainda com sensação de surpresa.
Não sei se quero o céu, quero primeiro a DEUS, ser capaz de um amor que não enxerga cor, tamanho, medida, esse ou aquele.  Ter uma humanidade tamanha que não aceite mais, o mundo avesso, decadente com gente ainda achando que Deus fica nos templos, que só ouve verbos amantíssimos, e desaprova uma cerveja,  decente, em um dia de calor.
Minha sede é de água viva, minha fome é de pão da vida, e meus olhos são para o céu, paraíso dos humanos não dos divinos.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

... por um tempo, tenho visto tudo com olhar de turista, com mãos transitórias, com a sensação de que amanhã o lugar será outro.
Vivo com a sensação de surpresa: ao abrir minha caixa de e-mail, ao sair de casa pela manhã, ao atender ao telefone, ao falar com alguém. Escrevo por urgência. Escrevo para conversar comigo, um exercício de convencimento, uma ato de paciência, um desejo de confissão. Fazendo faxina, ainda convivo com as mazelas da adolescência e encaro as acusações de um futuro que nem sei qual será. Acho mesmo, que sou minha maior inimiga, aceitando uma lógica de penitências, antes mesmo de errar e acabo entendendo que viver é mais complicado do que realmente é. Não pode ser. Muitas vezes tratei arranhões por causa das advertências, das auto punições, das ruindades que moravam em mim e que não deveriam morar... tive cortes morais, religiosos, estanques e ainda trato os vergões. Vez por outra refaço curativos. Falar com Deus só com os verbos mais eruditos, com liturgias, com respeito mudo. Conflito. Fazendo faxina, descobri o quanto sou feito meu pai, reflexiva, de humor pontuado e breve. Ele foi um mistério. Ele se foi cedo demais para quem, como eu, tinha acabado de chegar no coração dele e ele no meu. Fazendo faxina, sou como minha mãe, forte com doçura no olhar e dessa mistura, estou aqui interferindo na história. Numa noite dessas, tentei uma conversa com verbos humanos, vendo Deus como sei, como acho, como entendo. Grande e que independe da minha fala poética para fazer o que pretende. Falei, fiz protestos, resmunguei, rimos acho, e também chorei. Inexplicavelmente Ele estava lá. Como sei?
não sei como sei, mas Ele estava lá.
Sou minha maior inimiga. As ruindades que moram em mim também me construiram, minha questão não é mais ser irretocável, nunca "tropeçar nos próprios cadarços", mas viver minha humanidade "matéria prima" da qual fui feita.

terça-feira, 31 de março de 2009

Faltou a cereja

Como explicar a solidão?
Vai ver é como comer uma torta de chocolate, delirante, que só você soube o gosto, e comentar com alguém...

Como explicar o individualismo?
Vai ver é como comer uma torta de chocolate, delirante, que só você soube o gosto, e comentar com alguém, e nunca ir com o outro partilhar o delírio.

Como explicar o atraso?
Vai ver é como comer uma torta de chocolate, delirante, que só você soube o gosto, e comentar com alguém, e nunca ir com o outro partilhar o delírio. Mas aí um dia, você olha, e a torta está sendo partilhada a dois, e não é você o outro lado que ganha um olhar e um pedaço.

Como explicar a oportunidade?
Vai ver é como comer uma torta de chocolate, delirante, que só você soube o gosto, e comentar com o outro... ligar e dizer: "tô indo aí levar uma coisa pra você".

Como explicar o amor?
Vai ver é como comer uma torta de chocolate, delirante, que só você soube o gosto, e comentar com o outro... ligar e dizer: "tô indo aí levar uma coisa pra você" e ser a cereja que faltava.

domingo, 29 de março de 2009

Domingo

Vou tentar,
não desmanchar os nós feitos na rede.
Fui tirada de lá,
do meio das ondas maiores,
da tempestade,
dos dias piores.
Vou tentar,
respirar a brandura da memória,
lembrar da calmaria,
da compainha,
das caminhadas...
Tenho nós feitos de existência,
de dias,
de horas,
de lágrimas.
Ajuste divino,
uns apertados, outros eternos.
Nós que faço, não conservam a pesca.
Perco,
com qualquer onda que bate.
Vou tentar,
não remar em qualquer água,
nem sair noite a dentro,
procurando um destino.
Vou tentar descansar,
dormir no barco.
Viver na luz.
Vou tentar a pesca,
mas,
com a rede certa.

terça-feira, 24 de março de 2009

Cegueira

Falo de coisas que todos sabem,
mas não sabem, que sabem.
Por isso, para os de olhos eclipsados,
passado o efeito,
acham meu verso miraculoso.

Me deleito, confesso.
Pareço fazer feitiço.

Falo outra vez, das coisas que todos sabem,
mas não acreditam que sabem.

Confesso estranheza.
Nada pode ser feito.

De indigência absoluta, são olhos que desistiram.
Não passa o efeito de finitude.
Não passa o efeito da privação,
é vida tirada aos poucos,
até cessar o existir.

Penosa trajetória, ter olhos sem trégua,
que não esperam mais a cura,
não sabem mais da fé.

Cegos ainda enxergando.

Falo de coisas que todos sabem,
mas não sabem que sei.
Falo de coisas que todos sabem,
mas não acreditam que acredito.

Minha fé vai além do que vejo,
é esquadrinhada,
existe apesar das dúvidas.

Falo porque tudo pode ser dito,
porque tenho olhos sobreviventes,
porque meu fim é a vida e não a morte.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Caos

Acredito neste grito aflito,
nesta dor no peito,
nesse rasgo feito.

A vida é isso,
sempre vulnerável,
ser ar,
irredimível.

De riscos perfeitos,
de muitos defeitos.
De imprevisões.

Angustiante caminho.
Vou mesmo assim.
Nas pedras,
nas perdas.

Pobre.
Nobre.
Vou misturando as cenas,
às duras penas,
depurando sensações marginais.

Vejo que no lado de dentro,
muito foi devastado,
varrido,
banido.

Medo.

Mas vou mesmo assim....

segunda-feira, 2 de março de 2009

Segunda-feira pela manhã

Acordei assim,
um pensamento rápido,
uma conversa na hora do café...
Em mim está de quem preciso,
quem abriga meus sonhos,
minhas vontades,
minha realidade.
Mora em mim.
É de quem primeiro devo cuidar,
é por quem é certo se sacrificar,
é onde sempre irei morar.
Em mim está por quem anseio,
melhor,
mais forte,
pela vida a dentro.
Mora em mim.
É quem primeiro devo amar,
amar muito,
sempre,
tanto,
tanto que possa dizer "não é para mim."
Mora em mim.
É quem acorda e dorme o mesmo sono,
quer o mesmo descanso,
sabe a trajetória,
a hora de ficar,
quando partir.
Mora em mim.
É quem mais precisa de cuidados,
de curativos,
de curas.
É quem nunca poderá enganar-se,
se esconder, mora em mim.
É em quem devo confiar,
acreditar,
me apaixonar.
Eu.
E para morar mais alguém, será preciso continuar a reforma...

domingo, 1 de março de 2009

Sobre as águas

Tudo oscila,
e fica marejando minha existência.
Minha ausência,
contamina o pouco do que mantenho
da Sua presença.
Insistente essa zanga engaiolada
que fica na minha alma.
Não é coisa para deixar solta.
Revira-se,
pragueja,
inclemente,
inadequada,
se alimenta de mim, aos poucos.
Por ora está trancada.
Sou de águas agitadas,
sem calma,
sem beira,
sem chão.
E me lembro,
já perguntei antes:
"Quem é esse que acalma o mar?"
"Quem é esse que anda sobre as águas?"
...e me lembro:
sempre houve terra firme, bem próxima de mim.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Lágrima, é quando a sua alma é espremida como um limão pequeno,
tem suco, mas precisa de outro e outro e outro,
para um tanto que mate a sede.
 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Carnaval

...em linhas de ouro,
costuro palavras lantejoulas,
Escuro.
Noite a dentro,
ensaiando,
passo a passo.
...me fantasio de poetisa, e vou ao som das batidas do meu coração.
Me tranquei em casa.
Meu carnaval é com as palavras, que agora desfilam para mim!

domingo, 22 de fevereiro de 2009


Aproveito as hora da manhã para existir em paz.
Enquanto parte de mim ainda dorme,
enquanto está quieta.
Desperta, invade o que achei ter dominado,
o conviveo com o oposto,
a contradição, meu outro lado.
Esse que todos tem.
Agora, posso sentir o ar,
gostar da solidão,
tomar um café comigo.
Ler o livro estanque na estante há dias...
Ler a página que quiser, sem a obrigação da ordem.
Sortear uma palavra nele,
alimentar minha vontade de contar quem sou,
do que gosto,
do que não.
Me eternizar.
Pretendo que muitos venham comigo.
Não sou de ficar sozinha.
Este é só um instante, mas vou sorvendo a brandura,
o jardim regado que me faço agora.
Só um instante no universo que sou, entre as partes que sou.
Entre nós duas.
Eu e eu.
Falo de mim, da sensação de sorriso.
Da parceria com o silêncio.
Fico reparando no que nunca paro para ver.
O quanto sou semelhante aos meus.
O quanto são meus.
Descobri que sei rir de mim.
E que gavetas são ingratas,
muitas desnecessárias,
o que fica em gavetas já está morto.
E pretendo vida, muita vida.
Tirar tudo das gavetas, das muitas que tenho.
Entrada e saída, estão no mesmo lugar, aqui,
só há uma porta para as duas coisas.
Vai ou fica.
Eu sempre fico.
Não tenho que sair.
Descobri que nada termina, só pára,
não há borracha que apague um começo,
há, a continuação de onde se parou...
Seguir, a partir daquelas pausas que damos,
para tomar uma água,
um ar,
dar uma volta lá fora, pela vida.
Temos controle sobre o recomeço, nunca sobre o que foi.
é quando precisamos sair,
por que entramos.
Gavetas são para coisas que sepultamos, que fiquem fechadas.
Descobri isso hoje!
E por que não uma foto minha?
Lá vai.
Era comigo que eu estava até agora.
Não tenho cores nesta manhã, mas tenho um sorriso.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Ela!


... das dela!

Me olhou, reparando mesmo.
Imaginei: "lá vem!"
" Mamãe!" ...e uma pausa bastante reflexiva da altura do seus sábios 4 anos...
"Por que Deus fez você assim, cheia de bolinhas?"

Tenho sardas, ela não!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

The end

Não sabíamos,
até o dia que descobrimos,
que o amor não habita seres inacabados.
Está na vontade, na disposição, na dimensão do desejo.
No que se quer muito.
Posto que é de "lutas" há de ser dos fortes.
Frágeis não amam bem, precisam de lógica.
Nunca saberíamos que somos frágeis,
até que um dia não explicamos nem quando, nem como.
E, fomos arrebatados.
Encaramos ou fugimos.
Amar não se entende na esfera da razão.
É loucura e avesso.
Nunca sabemos que formato terá,
nem se chegou em tempo.
Amor é para quem tem coragem,
não de estar com alguém,
mas de ser de alguém.
Ser na alma, não no mome.
Ser de perto e de longe também.
De viver no outro, sem trancas nas portas.
Com saudade o bastante no café-da-manhã.
De não se envaidecer,
nem adoecer, por falta de paz.
Somos frágeis demais para esse tipo de amor.
Não nos deixamos amar como convém.
Nunca soubemos, antes de amar,
que ele pode acabar,
se vai e muda de corpo,
de mente,
de coração.
Até que um dia ele não está mais ali,
se foi meio em silêncio,
ficamos sem brindar a mais nada,
sem comemorações,
sem o outro.
Voltamos a ser frágeis,
tentando explicar as razões do fim,
não boas razões, mas as ruins.
E vivemos um tempo entre elas, razões.
Talvez seja o exercício de ir e vir...
Não sabíamos.
Não sabemos.
Como estará o amor amanhã?
Se não for agora, pode não haver mais tempo.
E de novo,
vamos tentar passar a limpo a história,
desta vez,
quem sabe, com um final feliz.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Emaranhado

Encaramos o sol.
Nós que de quando em quando, sugamos da noite o breu.
Encaramos o gosto adocicado de uma fruta,mesmo quando nos viciamos do salgado da lágrima.
Encaramos a trama dos fios que somos feitos,mesmo quando, fracos, nos remendamos.
Mesmo quando limpos, nos lavamos.
Mesmo quando mansos, nos revoltamos.
Encaramos o desvio das coisas, mesmo quando amamos.
Nós que de quando em quando, ainda fazemos confissões para paredes.
Encaramos os anos, mesmo quando demoram a chegar,mesmo quando não haja mais tempo.
Encaramos a nós mesmos, na silenciosa alquimia do confronto,mesmo sabendo, que desse encontro, não há quem nos redima.
Encaramos o não, mesmo quando nos revestimos de aceitação.
E temos, o coração em muitos pequenos novelos,até mesmo, quando são todos desfiados juntos, encaramos os nós,
e de novo,
nos refazemos.
Nós que somos assim.


*concorrendo no Talentos - concurso digital de poesias-2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Só hoje

Hoje vou assim...
Sem pedir muitas desculpas,
sem esperar o voo dos meus"anjos", sempre no risco de abandonos.

Vou assim aceitando minhas culpas, encarando minha sina,
nascem do mesmo ninho, raiva e amor.

Hoje vou assim,
tirando o pó de estrelas que ficou ainda no meu chão na noite anterior.
Vou deixando meu coração suspeitar das alegrias que sinto.

Hoje vou assim, achando que as perdas são ganhos,
que preciso ganhar o céu, me antecipar aos anjos.
Voar com as asas que tenho.
Então vou assim, levando, abertas, minhas gaiolas.

*concorrendo no Talentos - concurso digital de poesias-2009