A vida é assim um vai e vem de coisas e pessoas,
remexem a nossa terra, é um chove, seca, chove, seca sem fim
que vento ajuda nessas horas...
Bate brisa na cara da gente e passamos a reparar
em passarinhos e em suas pequenas asas,
a gente voa por dentro...
Vida é assim uma aragem,
que separa a terra boa da ruim,
senão mistura tudo e joga-se a semente.
Por certo plantou-se esperança,
e passamos a reparar no broto porque a rega é a espera.
E depois, reparamos na folha,
que um dia se vai, seca e cai...mas antes disso,
tem a flor, que é um jeito da vida pedir desculpas por tanto "bem-me-quer",
"mal-me-quer" que desfolhamos.
Estes versos são frutos de um desejo "encubado". Pretendem ser poemas.São reflexos de pessoas que amam as palavras e que também me ensinaram a amá-las. Abro minhas gavetas, na tentativa de dividir o verbo e trazer á luz o que poderia "amarelar" com tempo. Tempo este que seguirá, independente de minhas escolhas. Escolhi então, repartir palavras e compartilhar a mim mesma.
Quem sou eu
- Eliana Holtz
- Obras publicadas em Antologias Poéticas: Obra:Desconstrução Antologia:Casa lembrada, Casa perdida-Editora AG. Obra: Conquista Antologia:Sentido Inverso-Editora Andross. Obras: Nó e Falta de ar Antologia: Palavras Veladas-Editora Andross. Obras: Lembrança, Intento e Flecha Livro: Banco de Talentos. Obra: Alegoria Conceioneiro para a Língua Portuguesa-Portugal: Se eu fosse lua, fazia uma noite e Os poemas: Entre nós e Medida, publicados na Antologia Poética da Câmara Brasileira de Jovens escritores-RJ Sou brasileira, natural de São Paulo, Capital. Formada em Letras, Pedagogia e Psicopedagogia. Participei de vários concursos literários internacionais e nacionais.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
domingo, 15 de setembro de 2013
Nós duas
Somos duas...
Uma é nobre e gentil,
de fé, de força e sentido,
filha da poesia,
costurada de encantos,
quase cria da perfeição.
A outra é grosseira e vil,
tecida de cicatrizes,
sempre na corda bamba,
só viva porque respira,
dada a improváveis,
sina da degradação.
Somos uma, sempre em duas.
Sempre em luta,
ora ganha a que é terna,
ora não.
Fico com elas,
e no mais bélico enfrentamento, cochicho com Deus...
Uma é nobre e gentil,
de fé, de força e sentido,
filha da poesia,
costurada de encantos,
quase cria da perfeição.
A outra é grosseira e vil,
tecida de cicatrizes,
sempre na corda bamba,
só viva porque respira,
dada a improváveis,
sina da degradação.
Somos uma, sempre em duas.
Sempre em luta,
ora ganha a que é terna,
ora não.
Fico com elas,
e no mais bélico enfrentamento, cochicho com Deus...
domingo, 1 de setembro de 2013
Argumento
De quem é a culpa dos meus pés ou do caminho?
Só sei que devo esgotar agora todas as tentativas,
deixar-me vazar, cumprir a sina de ver escoar a última gota no "sangradouro",
deitar por terra os cestos vazios.
Ando de memória entulhada, um excesso de lembranças, um acúmulo de exageros,
uma medida de sensatez e o dobro de insanidade,
faço mistura e alimento desse tanto,
mas os cestos seguem vazios.
Viver não basta, ter os dias aprisionados no calendário,
e as horas num relógio não fazem vida,
este não é o meu respirar,
ver ano passando,
década acabando,
e o tempo em movimento contínuo tecendo o fim das coisas.
Não acabei ainda, me sobraram os cestos, são meus,
se meus pés andam equivocados,
dou a eles novos caminhos,
novos passos,
é trajetória de um só, por isso vou sozinha, mas eu volto,
eu volto, com os cestos cheios.
Só sei que devo esgotar agora todas as tentativas,
deixar-me vazar, cumprir a sina de ver escoar a última gota no "sangradouro",
deitar por terra os cestos vazios.
Ando de memória entulhada, um excesso de lembranças, um acúmulo de exageros,
uma medida de sensatez e o dobro de insanidade,
faço mistura e alimento desse tanto,
mas os cestos seguem vazios.
Viver não basta, ter os dias aprisionados no calendário,
e as horas num relógio não fazem vida,
este não é o meu respirar,
ver ano passando,
década acabando,
e o tempo em movimento contínuo tecendo o fim das coisas.
Não acabei ainda, me sobraram os cestos, são meus,
se meus pés andam equivocados,
dou a eles novos caminhos,
novos passos,
é trajetória de um só, por isso vou sozinha, mas eu volto,
eu volto, com os cestos cheios.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Feita à mão
Tecendo minhas rendas, fiquei na primeira linha do verso que não nasceu.
Queria falar de amor,
das coisas mais aquecidas, queria aos pés da dor abrir sorriso,
escancarado e sem siso,
de jeito meio insano, assim meio desvairada mas não me veio nada.
Ainda nas minhas rendas, junto palavra aqui e ali,
que roupa terá o poeta, de que se enfeita esse errante?
De que é feito este instante?
Do que vou falar adiante?
Ainda distante do amor, e não porque sou menina,
que dessa já foi-se à tempos as tranças, a dança, a boneca...
Não vou de versos de amor,
não chegam neste tear, vai ver ainda é dor o nó que desatou,
o afeto que faltou,
o beijo que me negou,
o laço que não se fez.
Ainda não é minha vez,
que amor é coisa de gente "costurada", ando ainda no alinhavo,
não posso com o soltar dos pontos...
Queria falar de amor,
das coisas mais aquecidas, queria aos pés da dor abrir sorriso,
escancarado e sem siso,
de jeito meio insano, assim meio desvairada mas não me veio nada.
Ainda nas minhas rendas, junto palavra aqui e ali,
que roupa terá o poeta, de que se enfeita esse errante?
De que é feito este instante?
Do que vou falar adiante?
Ainda distante do amor, e não porque sou menina,
que dessa já foi-se à tempos as tranças, a dança, a boneca...
Não vou de versos de amor,
não chegam neste tear, vai ver ainda é dor o nó que desatou,
o afeto que faltou,
o beijo que me negou,
o laço que não se fez.
Ainda não é minha vez,
que amor é coisa de gente "costurada", ando ainda no alinhavo,
não posso com o soltar dos pontos...
domingo, 7 de julho de 2013
Testamento
Que eu não deixe nada sem endereço,
Até aqui, na contagem dos meus dias sou testemunha,
no choro houve consolo,
na falta, houve pão,
no corte, houve cura, se sorte, se não, não sei agora...
Ainda que tenha faltado oração,
sobrou bondade.
Ainda que tenha faltado justiça,
sobrou misericórdia.
Ainda que tenha sido pouca a leveza de coração,
sobrou paz.
Sou a única guardiã de um tesouro finito,
não tenho herança para deixar,
não das que se contam, se somam...e somem.
Nada como riqueza, além dos meus pensamentos, dos meus afetos, dos meus pequenos feitos.
Meu legado é coisa feita a cada dia,
sem acúmulos,
com parte na lógica do amor,
com outra no poder da razão.
Meu destino é sentir,
e quando eu for embora que nada vá comigo,
que eu não deixe de falar,
nem de ouvir,
nem de agradecer,
anda aqui, que eu possa reeditar o amor que não cabe só em mim.
Que nada fique comigo "pra" eu ir certa de ter cumprido a sina.
Até aqui, na contagem dos meus dias sou testemunha,
no choro houve consolo,
na falta, houve pão,
no corte, houve cura, se sorte, se não, não sei agora...
Ainda que tenha faltado oração,
sobrou bondade.
Ainda que tenha faltado justiça,
sobrou misericórdia.
Ainda que tenha sido pouca a leveza de coração,
sobrou paz.
Sou a única guardiã de um tesouro finito,
não tenho herança para deixar,
não das que se contam, se somam...e somem.
Nada como riqueza, além dos meus pensamentos, dos meus afetos, dos meus pequenos feitos.
Meu legado é coisa feita a cada dia,
sem acúmulos,
com parte na lógica do amor,
com outra no poder da razão.
Meu destino é sentir,
e quando eu for embora que nada vá comigo,
que eu não deixe de falar,
nem de ouvir,
nem de agradecer,
anda aqui, que eu possa reeditar o amor que não cabe só em mim.
Que nada fique comigo "pra" eu ir certa de ter cumprido a sina.
sábado, 18 de maio de 2013
Desenvenenar
Escrevo para não perder a crise,
vou com cara de acerto de contas, dessas contas da vida que é o molejo das minhas palavras
e que não sei se irão me salvar a doçura.
Não tem nome o que sinto,
e minha temperatura não é normal,
tudo ficou alterado,
explosivo,
vou de coração minado,
desconfiado,
enfurecido,
desconcertado.
Inferno e paraíso juntos no mesmo dizer.
Escrevo para não perder o tino,
para resumir o drama,
por desforra,
para me absolver dos pensamentos impublicáveis.
Escrevo para me curar da loucura que me fez calar,
para quem sabe, diluir um pouco o veneno deste mundo avesso.
vou com cara de acerto de contas, dessas contas da vida que é o molejo das minhas palavras
e que não sei se irão me salvar a doçura.
Não tem nome o que sinto,
e minha temperatura não é normal,
tudo ficou alterado,
explosivo,
vou de coração minado,
desconfiado,
enfurecido,
desconcertado.
Inferno e paraíso juntos no mesmo dizer.
Escrevo para não perder o tino,
para resumir o drama,
por desforra,
para me absolver dos pensamentos impublicáveis.
Escrevo para me curar da loucura que me fez calar,
para quem sabe, diluir um pouco o veneno deste mundo avesso.
sábado, 11 de maio de 2013
Invasão
Vou provocar o silêncio, já que humana duvido,
e mesmo sem culpas, há trancas e enguiços na minha esperança,
nem sempre a palavra me faz visita...
Me dou à coragem de evitar solidão, silêncio é coisa séria eu sei,
mas como estou salva da perfeição, provoco.
Procuro a palavra, sou assim...
Aguento rápidos abandonos,
encaro defeitos com certa precariedade,
aceito de pronto antagonismos e masmorras,
mas não sei lidar com ausências,
a falta que me faz papel e caneta,
a gente aprende obediência pelas dores que sofre,
assumo o desrespeito, já que silêncio é coisa séria,
mas nasci assim,
meio poeta, e juro, não escolhi é sina.
Na indiferença das palavras,
vou ser diferente.
Sou de versos indomados
e no fim das contas o que não sei mesmo é lidar com o silêncio.
e mesmo sem culpas, há trancas e enguiços na minha esperança,
nem sempre a palavra me faz visita...
Me dou à coragem de evitar solidão, silêncio é coisa séria eu sei,
mas como estou salva da perfeição, provoco.
Procuro a palavra, sou assim...
Aguento rápidos abandonos,
encaro defeitos com certa precariedade,
aceito de pronto antagonismos e masmorras,
mas não sei lidar com ausências,
a falta que me faz papel e caneta,
a gente aprende obediência pelas dores que sofre,
assumo o desrespeito, já que silêncio é coisa séria,
mas nasci assim,
meio poeta, e juro, não escolhi é sina.
Na indiferença das palavras,
vou ser diferente.
Sou de versos indomados
e no fim das contas o que não sei mesmo é lidar com o silêncio.
Assinar:
Postagens (Atom)