Quem sou eu

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Obras publicadas em Antologias Poéticas: Obra:Desconstrução Antologia:Casa lembrada, Casa perdida-Editora AG. Obra: Conquista Antologia:Sentido Inverso-Editora Andross. Obras: Nó e Falta de ar Antologia: Palavras Veladas-Editora Andross. Obras: Lembrança, Intento e Flecha Livro: Banco de Talentos. Obra: Alegoria Conceioneiro para a Língua Portuguesa-Portugal: Se eu fosse lua, fazia uma noite e Os poemas: Entre nós e Medida, publicados na Antologia Poética da Câmara Brasileira de Jovens escritores-RJ Sou brasileira, natural de São Paulo, Capital. Formada em Letras, Pedagogia e Psicopedagogia. Participei de vários concursos literários internacionais e nacionais.

domingo, 13 de outubro de 2013

Hiatos

E nos fazemos casa que abriga tudo,
e alimento aos que nos devoram lento e muito,
e nos deixamos inclementes e insanos nas mãos de todos,
e seguimos sendo o que nunca fomos.

E nos engasgos do não dizer,
fica a palavra pisada, em chão de angustias, em terra estrangeira,
em solitude eternal...

Nos salvamos.
Não há eternidade  no que cingido de inércia dá-se ao movimento.
Que atina numa manhã qualquer de que a palavra é ombro,
e braço forte,
vive em  hiatos.

No vão das coisas é onde somos,
o que essencialmente somos,
uma hibridez constituinte que separa impotência de onipotência.

Com a palavra erguemos bandeiras,
desconsideramos conselhos,
enfrentamos o dia mau.

Com a palavra dizemos quem somos, nos elegemos!



quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Esperando a primavera

A vida é assim um vai e vem de coisas e pessoas,
remexem a nossa terra, é um chove, seca, chove, seca sem fim
que vento ajuda nessas horas...

Bate brisa na cara da gente e passamos a reparar
em passarinhos e em suas pequenas asas,
a gente voa por dentro...

Vida é assim uma aragem,
que separa a terra boa da ruim,
senão mistura tudo e joga-se a semente.

Por certo plantou-se esperança,
e passamos a reparar no broto porque a  rega é a espera.

E depois, reparamos na folha,
que um dia se vai, seca e cai...mas antes disso,
tem a flor, que é um jeito da vida pedir desculpas por tanto "bem-me-quer",
"mal-me-quer" que desfolhamos.

domingo, 15 de setembro de 2013

Nós duas

Somos duas...

Uma é nobre e gentil,
de fé, de força e sentido,
filha da poesia,
costurada de encantos,
quase cria da perfeição.

A outra é grosseira e vil,
tecida de cicatrizes,
sempre na corda bamba,
só viva porque respira,
dada a improváveis,
sina da degradação.

Somos uma, sempre em duas.

Sempre em luta,
ora ganha a que é terna,
ora não.

Fico com elas,
e no mais bélico enfrentamento, cochicho com Deus...






domingo, 1 de setembro de 2013

Argumento

De quem é a culpa dos meus pés ou do caminho?
Só sei que devo esgotar agora todas as tentativas,
deixar-me vazar, cumprir a sina de ver escoar a última gota no "sangradouro",
deitar por terra os cestos vazios.

Ando de memória entulhada, um excesso de lembranças, um acúmulo de exageros,
uma medida de sensatez e o dobro de insanidade,
faço mistura e alimento desse tanto,
mas os cestos seguem vazios.

Viver não basta, ter os dias aprisionados no calendário,
e as horas num relógio não fazem vida,
este não é o meu respirar,
ver ano passando,
década acabando,
e o tempo em movimento contínuo tecendo o fim das coisas.

Não acabei ainda, me sobraram os cestos, são meus,
se meus pés andam equivocados,
dou a eles novos caminhos,
novos passos,
é trajetória de um só, por isso vou sozinha, mas eu volto,
eu volto, com os cestos cheios.





terça-feira, 9 de julho de 2013

Feita à mão

Tecendo minhas rendas, fiquei na primeira linha  do verso que não nasceu.
Queria falar de amor,
das coisas mais aquecidas, queria aos pés da dor abrir sorriso,
escancarado e sem siso,
de jeito meio insano,  assim meio desvairada  mas não me veio nada.

Ainda nas minhas rendas, junto palavra aqui e ali,
que roupa terá o poeta, de que se enfeita esse errante?
De que é feito este instante?
Do que vou falar adiante?

Ainda distante do amor, e não porque sou menina,
que dessa já foi-se à tempos as tranças, a dança, a boneca...

Não vou de versos de amor,
não chegam neste tear, vai ver ainda é dor o nó que desatou,
o afeto que faltou,
o beijo que me negou,
o laço que não se fez.

Ainda não é minha vez,
que amor é coisa de gente "costurada", ando ainda no alinhavo,
não posso com o soltar dos pontos...


domingo, 7 de julho de 2013

Testamento

Que eu não deixe nada sem endereço,
Até aqui, na contagem dos meus dias sou testemunha,
no choro houve consolo,
na falta, houve pão,
no corte, houve cura, se sorte, se não, não sei agora...
Ainda que tenha faltado oração,
sobrou bondade.
Ainda que tenha faltado justiça,
sobrou misericórdia.
Ainda que tenha sido pouca a leveza de coração,
sobrou paz.
Sou a única guardiã de um tesouro finito,
não tenho herança para deixar,
não das que se contam, se somam...e somem.
Nada como riqueza, além dos meus pensamentos, dos meus afetos, dos meus pequenos feitos.
Meu legado é coisa feita a cada dia,
sem acúmulos,
com parte na lógica do amor,
com outra no poder da razão.
Meu destino é sentir,
e quando eu for embora que nada vá comigo,
que eu não deixe de falar,
nem de ouvir,
nem de agradecer,
anda aqui, que eu possa reeditar o amor que não cabe só em mim.
Que nada fique comigo "pra" eu ir certa de ter cumprido a sina.

sábado, 18 de maio de 2013

Desenvenenar

Escrevo para não perder a crise,
vou com cara de acerto de contas, dessas contas da vida que é o molejo das minhas palavras
e que não sei se irão me salvar a doçura.
Não tem nome o que sinto,
e minha temperatura não é normal,
tudo ficou alterado,
explosivo,
vou de coração minado,
desconfiado,
enfurecido,
desconcertado.
Inferno e paraíso juntos no mesmo dizer.
Escrevo para não perder o tino,
para resumir o drama,
por desforra,
para me absolver dos pensamentos impublicáveis.
Escrevo para me curar da loucura que me fez calar,
para quem sabe, diluir um pouco o veneno deste mundo avesso.