'O meu primeiro amor e eu sentávamos numa pedraQue havia num terreno baldio entre as nossas casas.Falávamos de coisas bobas,Isto é, que a gente achava bobasComo qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos.Crianças...Parecia que entre um e outro nem havia ainda separação de sexosA não ser o azul imenso dos olhos dela,Olhos que eu não encontrava em ninguém mais,Nem no cachorro e no gato da casa,Que tinham apenas a mesma fidelidade sem compromissoE a mesma animal - ou celestial - inocência,Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu:Não, não importava as coisas bobas que diséssemos.Éramos um desejo de estar perto, tão pertoQue não havia ali apenas duas encantadas criaturasMas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,Enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se, não sabiaQue eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida..."
Mário Quintana
Estes versos são frutos de um desejo "encubado". Pretendem ser poemas.São reflexos de pessoas que amam as palavras e que também me ensinaram a amá-las. Abro minhas gavetas, na tentativa de dividir o verbo e trazer á luz o que poderia "amarelar" com tempo. Tempo este que seguirá, independente de minhas escolhas. Escolhi então, repartir palavras e compartilhar a mim mesma.
Quem sou eu
- Eliana Holtz
- Obras publicadas em Antologias Poéticas: Obra:Desconstrução Antologia:Casa lembrada, Casa perdida-Editora AG. Obra: Conquista Antologia:Sentido Inverso-Editora Andross. Obras: Nó e Falta de ar Antologia: Palavras Veladas-Editora Andross. Obras: Lembrança, Intento e Flecha Livro: Banco de Talentos. Obra: Alegoria Conceioneiro para a Língua Portuguesa-Portugal: Se eu fosse lua, fazia uma noite e Os poemas: Entre nós e Medida, publicados na Antologia Poética da Câmara Brasileira de Jovens escritores-RJ Sou brasileira, natural de São Paulo, Capital. Formada em Letras, Pedagogia e Psicopedagogia. Participei de vários concursos literários internacionais e nacionais.
terça-feira, 21 de agosto de 2007
sábado, 18 de agosto de 2007
Consigo estar comigo
Nada mais calmo que ter nas mãos caneta e papel, neste final de tarde.
De versos vãos, da tinta, do branco, do nada,
vejo que as palavras se juntam a meu favor.
Nada se perde.
Fico séria.
Sinto o ar, como se o respirasse pela primeira vez. (Arde aqui dentro...)
Palavras para viver ou morrer.
O que tentam dizer?
Nada mais calmo do que saber que, rendida, não me preocupo em entender.
Fazer o melhor verso,
Ser inesquecível,
mensurável,
ter começo,
forma ou dimensão.
Minha palavra é desprendimento.
De mim,
dos outros,
daqueles olhares que "pisam" na gente.
Da sucessão.
Nada mais calmo que este poema sem intenção.
Silencioso e bom.
Nada combinado.
Sem ninguém para me socorrer dos meus desafetos.
Nada mais calmo que um final de tarde como todos os outros, só melhor.
Muito melhor, por causa desta certeza.
...Sou eu quem decide!
De versos vãos, da tinta, do branco, do nada,
vejo que as palavras se juntam a meu favor.
Nada se perde.
Fico séria.
Sinto o ar, como se o respirasse pela primeira vez. (Arde aqui dentro...)
Palavras para viver ou morrer.
O que tentam dizer?
Nada mais calmo do que saber que, rendida, não me preocupo em entender.
Fazer o melhor verso,
Ser inesquecível,
mensurável,
ter começo,
forma ou dimensão.
Minha palavra é desprendimento.
De mim,
dos outros,
daqueles olhares que "pisam" na gente.
Da sucessão.
Nada mais calmo que este poema sem intenção.
Silencioso e bom.
Nada combinado.
Sem ninguém para me socorrer dos meus desafetos.
Nada mais calmo que um final de tarde como todos os outros, só melhor.
Muito melhor, por causa desta certeza.
...Sou eu quem decide!
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Fracasso
Se eu juntasse a palavra de cada poeta que conheço,
ainda assim, não teria um começo.
Não tenho essas palavras "desdobráveis",
essas que se articulam no coração,
fazem livre o pensamento e
acabam como saudade.
Agora o que tenho é um verso pobre,
exagerado de lamentos,
vitimizado,
meio andarilho...
Um verso onde falta a paz,
a doçura das linhas apaixonadas,
a loucura do segredos,
mas há um deserto de palavras,
secas,
ocas,
quase mortas.
Nenhum poeta poderá "salvar" o que não é verso.
O que se entrega,
desiste,
iniste em andar na beira do abismo.
Viver por sorte,
rasgando a alma,
e a céu aberto torna-se uma figura triste.
ainda assim, não teria um começo.
Não tenho essas palavras "desdobráveis",
essas que se articulam no coração,
fazem livre o pensamento e
acabam como saudade.
Agora o que tenho é um verso pobre,
exagerado de lamentos,
vitimizado,
meio andarilho...
Um verso onde falta a paz,
a doçura das linhas apaixonadas,
a loucura do segredos,
mas há um deserto de palavras,
secas,
ocas,
quase mortas.
Nenhum poeta poderá "salvar" o que não é verso.
O que se entrega,
desiste,
iniste em andar na beira do abismo.
Viver por sorte,
rasgando a alma,
e a céu aberto torna-se uma figura triste.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Intento
Quem me dera pudesse ser a voz de quem não consegue falar.
Ser a letra de uma música e até o caminho de quem anda sem destino.
Ser resposta para quem não sabe nem o que perguntar,
Uma carta cheia de promessas,
e também a memória cheia de saudade.
Quem me dera, do nada, ser lembrada, não pelo o que fiz, mas pelo o que sou.
E, nessa hora fazer muita falta.
Quem me dera, deixar um vazio no coração de alguém só por não ter me visto pela manhã.
Ser o motivo e a ânsia de chegar mais cedo,
mais rápido, logo.
Quem me dera ser descomplicada, desavisada e contente.
Pensar como aquela "Poliana" de 16 anos...
Acreditar como aquela moça de 25,
e ver minhas imagens amadas com a idade que tenho agora.
Quem me dera pudesse jogar fora cada rascunho que fiz,
essas coisas que nunca irão "nascer".
Fazer faxina na minha história e passar a limpo o que sobrar.
Quem me dera amadurecer,
sem dores,
sem choro,
sem perdas.
Quem me dera me entender,
me aceitar,
me perdoar.
Quem me dera, apenas neste dia, ter a paz que preciso tanto.
Quem dera que viver, fosse apenas respirar.
*Obra publicada no livro Banco de Talentos-2007
Ser a letra de uma música e até o caminho de quem anda sem destino.
Ser resposta para quem não sabe nem o que perguntar,
Uma carta cheia de promessas,
e também a memória cheia de saudade.
Quem me dera, do nada, ser lembrada, não pelo o que fiz, mas pelo o que sou.
E, nessa hora fazer muita falta.
Quem me dera, deixar um vazio no coração de alguém só por não ter me visto pela manhã.
Ser o motivo e a ânsia de chegar mais cedo,
mais rápido, logo.
Quem me dera ser descomplicada, desavisada e contente.
Pensar como aquela "Poliana" de 16 anos...
Acreditar como aquela moça de 25,
e ver minhas imagens amadas com a idade que tenho agora.
Quem me dera pudesse jogar fora cada rascunho que fiz,
essas coisas que nunca irão "nascer".
Fazer faxina na minha história e passar a limpo o que sobrar.
Quem me dera amadurecer,
sem dores,
sem choro,
sem perdas.
Quem me dera me entender,
me aceitar,
me perdoar.
Quem me dera, apenas neste dia, ter a paz que preciso tanto.
Quem dera que viver, fosse apenas respirar.
*Obra publicada no livro Banco de Talentos-2007
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Fragmentos
Se foram aquelas palavras criadas,
no meio de livros e coisas guardadas.
Fazem de mim uma poetisa cansada.
Não pelos anos ou pela estrada,
mas por saber que guardei palavras.
Há um segredo que agora conto.
Saibam poetas, todos, as há palavras amadas, que nunca serão ditas.
Estão ainda guardadas em suas caixas de medo.
Outras palavras, pouco a pouco, serão recados,
enviados,
se rendem a um leitor sedento.
Cada um levará a sua,
pela vida,
e, também, um pouco de mim.
no meio de livros e coisas guardadas.
Fazem de mim uma poetisa cansada.
Não pelos anos ou pela estrada,
mas por saber que guardei palavras.
Há um segredo que agora conto.
Saibam poetas, todos, as há palavras amadas, que nunca serão ditas.
Estão ainda guardadas em suas caixas de medo.
Outras palavras, pouco a pouco, serão recados,
enviados,
se rendem a um leitor sedento.
Cada um levará a sua,
pela vida,
e, também, um pouco de mim.
domingo, 5 de agosto de 2007
Para os meus amigos...
Sobre amigos, descobri que cada um tem sua cor.
Os exaltados, briguentos que jamais se conformam com uma simples explicação diante da dúvida. Lutam até o fim pela causa que acreditam e acreditam mesmo que chuchu é a melhor coisa do mundo!
São "apaixonados" por tudo! (segundo Aurélio a paixão varia entre a lucidez e a loucura!)
São admiráveis e especiais, fortes, desdobráveis, agüentam o " tranco"... e lutam muito por quem amam.
Todo mundo sabe quando estão chegando e quando se vão fazem muita falta!
Esses são os amigos vermelhos.
De cada dez palavras ditas nove delas não se aproveitam para nada a não ser para longas gargalhadas e surtos de "bobeiras".
Esses amigos não podem tirar férias, mudar de cidade, sumir por um tempo...nada, não podem sair de perto de jeito nenhum.
Esses são os alaranjados pode ser um dia daqueles para você, um dia que deu tudo errado, você viu quem não queria, ouve o que não precisava, " erra" feio no trabalho, parece que nada vai salvar as últimas horas que se aproximam... lá está o "alaranjado" dizendo: "Que isso, tudo passa até uva passa!" pois é, só quem tem a alma " laranja" poderia fazer alguém rir diante de um problema!
Sobre eles ainda, são tão especiais quanto os vermelhos, pois só querem ver você sorrir de novo! E os apressados, andam rápido, comem rápido, falam rápido, sempre ofegantes como se fossem perder alguma coisa...
São sóbrios, analíticos, ansiosos, entusiasmados, criativos, cheio de idéias...cada idéia!
Para mim são marrom, são como o tronco das árvores, tão fortes e persistentes quanto os vermelhos e surpeendentes como os alaranjados.
Esses crescem e enchem a sua vida de generosidade e confiança, há segredos que só eles sabem! E os que são a própria calma, ..."calma, pense melhor, vem cá vamos conversar deixa eu te dar um abraço"... o mundo está quase caindo na cabeça da gente e os "azul-bebê" estão ali, provando para você que não há nada melhor do que o calor de um abraço de urso!
E os coloridos então, esses são raros, aparecem, talvez, uma vez na vida e são inexplicáveis... Amigos tem suas cores há outras, eu sei, são tantas, para cada um uma cor, ao longo da vida vão preenchendo essa folha branca que somos, um risco aqui outro ali...
Chegam e fazem da gente uma bela obra de arte!
São assim.
Os exaltados, briguentos que jamais se conformam com uma simples explicação diante da dúvida. Lutam até o fim pela causa que acreditam e acreditam mesmo que chuchu é a melhor coisa do mundo!
São "apaixonados" por tudo! (segundo Aurélio a paixão varia entre a lucidez e a loucura!)
São admiráveis e especiais, fortes, desdobráveis, agüentam o " tranco"... e lutam muito por quem amam.
Todo mundo sabe quando estão chegando e quando se vão fazem muita falta!
Esses são os amigos vermelhos.
De cada dez palavras ditas nove delas não se aproveitam para nada a não ser para longas gargalhadas e surtos de "bobeiras".
Esses amigos não podem tirar férias, mudar de cidade, sumir por um tempo...nada, não podem sair de perto de jeito nenhum.
Esses são os alaranjados pode ser um dia daqueles para você, um dia que deu tudo errado, você viu quem não queria, ouve o que não precisava, " erra" feio no trabalho, parece que nada vai salvar as últimas horas que se aproximam... lá está o "alaranjado" dizendo: "Que isso, tudo passa até uva passa!" pois é, só quem tem a alma " laranja" poderia fazer alguém rir diante de um problema!
Sobre eles ainda, são tão especiais quanto os vermelhos, pois só querem ver você sorrir de novo! E os apressados, andam rápido, comem rápido, falam rápido, sempre ofegantes como se fossem perder alguma coisa...
São sóbrios, analíticos, ansiosos, entusiasmados, criativos, cheio de idéias...cada idéia!
Para mim são marrom, são como o tronco das árvores, tão fortes e persistentes quanto os vermelhos e surpeendentes como os alaranjados.
Esses crescem e enchem a sua vida de generosidade e confiança, há segredos que só eles sabem! E os que são a própria calma, ..."calma, pense melhor, vem cá vamos conversar deixa eu te dar um abraço"... o mundo está quase caindo na cabeça da gente e os "azul-bebê" estão ali, provando para você que não há nada melhor do que o calor de um abraço de urso!
E os coloridos então, esses são raros, aparecem, talvez, uma vez na vida e são inexplicáveis... Amigos tem suas cores há outras, eu sei, são tantas, para cada um uma cor, ao longo da vida vão preenchendo essa folha branca que somos, um risco aqui outro ali...
Chegam e fazem da gente uma bela obra de arte!
São assim.
Migalhas
Não tinha intenção de escrever....
me SEDUZIU a palavra.
Vencidos, verso e poeta.
O que fazer se não me render à sua chegada?
Qualquer palavra hoje será bem-vinda.
Um adeus.
Seu nome.
Até a letra completa daquela música que esqueci.
Qualquer palavra, hoje, será bem-vinda,
capaz de acabar com este silêncio,
estúpido e arrogante.
Que seja um mísero "oi" coloquial meio educado.
Até por engano,
uma palavra sua,
será alimento neste dia empobrecido.
me SEDUZIU a palavra.
Vencidos, verso e poeta.
O que fazer se não me render à sua chegada?
Qualquer palavra hoje será bem-vinda.
Um adeus.
Seu nome.
Até a letra completa daquela música que esqueci.
Qualquer palavra, hoje, será bem-vinda,
capaz de acabar com este silêncio,
estúpido e arrogante.
Que seja um mísero "oi" coloquial meio educado.
Até por engano,
uma palavra sua,
será alimento neste dia empobrecido.
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