Haveria explicação para dias sem destino?
Eles existem e parecem tão contrários a tudo que vivemos.
Uma dose de realidade interrompe sempre as horas mágicas do caminho.
Dias assim, sem destino, começam por começar.
São inúteis momentos em terra seca.
São momentos, sequer piedosos do contrário, são acusadores,
envelhecem a gente,
é o lado vivo, que dói cada vez que fisga da mente uma imagem amada.
Dias assim, só nos resta a lágrima.
Lágrima que se desprende lá de dentro, onde tudo ainda dói tanto.
É aquela sensação asfixiante do impossível,
do sonho,
da loucura,
da contemplação.
Dias assim, sem destino, terminam por terminar.
Deixam sempre algo devastado e o peso da realidade nos ombros.
Estes versos são frutos de um desejo "encubado". Pretendem ser poemas.São reflexos de pessoas que amam as palavras e que também me ensinaram a amá-las. Abro minhas gavetas, na tentativa de dividir o verbo e trazer á luz o que poderia "amarelar" com tempo. Tempo este que seguirá, independente de minhas escolhas. Escolhi então, repartir palavras e compartilhar a mim mesma.
Quem sou eu
- Eliana Holtz
- Obras publicadas em Antologias Poéticas: Obra:Desconstrução Antologia:Casa lembrada, Casa perdida-Editora AG. Obra: Conquista Antologia:Sentido Inverso-Editora Andross. Obras: Nó e Falta de ar Antologia: Palavras Veladas-Editora Andross. Obras: Lembrança, Intento e Flecha Livro: Banco de Talentos. Obra: Alegoria Conceioneiro para a Língua Portuguesa-Portugal: Se eu fosse lua, fazia uma noite e Os poemas: Entre nós e Medida, publicados na Antologia Poética da Câmara Brasileira de Jovens escritores-RJ Sou brasileira, natural de São Paulo, Capital. Formada em Letras, Pedagogia e Psicopedagogia. Participei de vários concursos literários internacionais e nacionais.
quarta-feira, 12 de março de 2008
segunda-feira, 10 de março de 2008
Eco
Estão soterradas.
palavras que guardei.
Enterradas.
Estão sendo veladas para cumprir sua sorte.
Fim de tudo que não é dito, a morte.
Partiram ainda cheias de ecos.
Caladas ficaram, até que a memória se revelasse viva.
Não podem mais ser ditas, não as que sepultei.
Deste luto aprisionado,
que choro uma dorzinha boba,
me refaço em instantes.
Nada mais morrerá ecoando,
enquanto eu puder falar.
De sorte que tudo que eu diga,
seja perdoado,
seja inesquecível,
seja em tempo.
palavras que guardei.
Enterradas.
Estão sendo veladas para cumprir sua sorte.
Fim de tudo que não é dito, a morte.
Partiram ainda cheias de ecos.
Caladas ficaram, até que a memória se revelasse viva.
Não podem mais ser ditas, não as que sepultei.
Deste luto aprisionado,
que choro uma dorzinha boba,
me refaço em instantes.
Nada mais morrerá ecoando,
enquanto eu puder falar.
De sorte que tudo que eu diga,
seja perdoado,
seja inesquecível,
seja em tempo.
sábado, 8 de março de 2008
Instante
Me faço perguntas, não raro, nenhuma resposta.
Vai ver escrevo por desabafo, por solidão, por tentativas.
Por ver beleza nas palavras, por estar desprevinida, por ser indiscutível a vontade de abraçar o instante.
Vai ver quando escrevo me sinto amada, certa de que estou na história.
Não sei do que é feito o instante, mas com palavras o aprisiono.
Vai ver sou resoluta o bastante para escrever...
Perguntas que faço, intimidade que tenho comigo.
Inoportuna quando não tenho versos.
Impressionada quando leio outros versos.
Desamparada e dolorida sem as palavras sorridentes que espero tanto.
E, feliz, só feliz... quando sou lida por alguém.
Vai ver escrevo por desabafo, por solidão, por tentativas.
Por ver beleza nas palavras, por estar desprevinida, por ser indiscutível a vontade de abraçar o instante.
Vai ver quando escrevo me sinto amada, certa de que estou na história.
Não sei do que é feito o instante, mas com palavras o aprisiono.
Vai ver sou resoluta o bastante para escrever...
Perguntas que faço, intimidade que tenho comigo.
Inoportuna quando não tenho versos.
Impressionada quando leio outros versos.
Desamparada e dolorida sem as palavras sorridentes que espero tanto.
E, feliz, só feliz... quando sou lida por alguém.
terça-feira, 4 de março de 2008
Escorpião
Nada tenho de bonito, hoje é um dia enraivecido.
Não quero ser otimista.
Vou chorar meus mortos,
não ter esperança,
nem ter que acreditar para sobreviver,
nem ter que explicar nada para ninguém,
nem sorrir.
Não quero nenhum conselho,
nem versos de auto-ajuda (alías nessas horas acinzentadas, são os piores).
Otimismo e caos não combinam...
Levo uma fúria nas veias,
vontade de gritar qualquer bobagem contra as convenções,
regras,
chatices,
e ser sem medo,
sem culpa,
sem o "bendito" limite para tudo.
Nada de brandura em dias como estes.
Não oferto calma,
nem paciência,
tenho de sobra arranhões, doendo...
Também sou feita deles.
Hoje tudo é impreciso e misturado,
vago e amorfo.
Hoje me deixem ser lenta e inesperada,
Preciso do opaco,
do avesso,
da contradição,
da sombra.
Meus quereres são"noturnos",
na umidade dos pensamentos mais impróprios,
mais proibidos,
nus quando bate a luz.
Seria a vingança perfeita,
fazer tropeçar os irretocáveis.
Nada de cores claras,
irritantes,
rostos angelicais afrontando meu direito de ser asfixiante.
Hoje tenho um vácuo inexplicável e desejado,
uma solidão consentida.
Um veneno na boca.
Uma dose de maldade refinada,
áspera,
cortando em pedacinhos tudo que é delicado.
Apropriado.
Convencional.
Dispenso olhares perfuradores de comparação,
elogios abandonados na hora vazia de conversas tolas e ocas,
hipocrisias,
implacáveis dissolvem minha inteligência.
Que se calem...
Hoje há um vácuo inexplicável e desejado,
uma solidão consentida.
Um dia de nãos.
Um veneno na boca.
Não quero ser otimista.
Vou chorar meus mortos,
não ter esperança,
nem ter que acreditar para sobreviver,
nem ter que explicar nada para ninguém,
nem sorrir.
Não quero nenhum conselho,
nem versos de auto-ajuda (alías nessas horas acinzentadas, são os piores).
Otimismo e caos não combinam...
Levo uma fúria nas veias,
vontade de gritar qualquer bobagem contra as convenções,
regras,
chatices,
e ser sem medo,
sem culpa,
sem o "bendito" limite para tudo.
Nada de brandura em dias como estes.
Não oferto calma,
nem paciência,
tenho de sobra arranhões, doendo...
Também sou feita deles.
Hoje tudo é impreciso e misturado,
vago e amorfo.
Hoje me deixem ser lenta e inesperada,
Preciso do opaco,
do avesso,
da contradição,
da sombra.
Meus quereres são"noturnos",
na umidade dos pensamentos mais impróprios,
mais proibidos,
nus quando bate a luz.
Seria a vingança perfeita,
fazer tropeçar os irretocáveis.
Nada de cores claras,
irritantes,
rostos angelicais afrontando meu direito de ser asfixiante.
Hoje tenho um vácuo inexplicável e desejado,
uma solidão consentida.
Um veneno na boca.
Uma dose de maldade refinada,
áspera,
cortando em pedacinhos tudo que é delicado.
Apropriado.
Convencional.
Dispenso olhares perfuradores de comparação,
elogios abandonados na hora vazia de conversas tolas e ocas,
hipocrisias,
implacáveis dissolvem minha inteligência.
Que se calem...
Hoje há um vácuo inexplicável e desejado,
uma solidão consentida.
Um dia de nãos.
Um veneno na boca.
segunda-feira, 3 de março de 2008
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Herança
A intenção é fazer poesia, mas a lírica não combina com a verdade.
Qual herança deixaria se eu fosse morrer agora?
Minhas fotos,
minhas poesias,
minhas tentativas de domar meu coração,
um amor,
uma filha,
uma estrada interrompida,
uma lista de amigos,
um quadro que pintei um dia,
meus desenhos,
meus afetos,
deixaria minhas tentativas e não a confiança que não tenho em mim, isso eu levaria.
as coisas que guardo nas gavetas,
minhas músicas,
as coisas que escrevi e ninguém leu.
os livros que li,
meus depoimentos,
minha voz gravada em alguns registros da vida.
meus segredos, levaria, do contrário não seriam segredos.
os revelados, deixaria, para sempre ser o assunto de uma lembrança.
Mas há coisas que não posso deixar:
a imagem de uma noite de lua cheia,
o branco que vi das margaridas que gosto tanto,
o gosto de ganhar de presente um chocolate meio-amargo,
um beijo saboroso,
meus abraços, os que recebi, os que dei serão lembrados.
a sensação boa de alguém confiando em mim,
as lágrimas que recolhi,
confissões de um amigo,
o cheiro de um molho de tomate,
as lutas da minha alma,
ansiosas esperas pela felicidade,
o sol batendo no rosto,
e a infinita busca por mim mesma.
Se eu fosse morrer agora, teria vivido bem, posto que a vida é de alegria e tristeza, de encontro e desencontro, de paixões e afastamentos, de dias incrivelmente felizes e outros nem tanto.
Se eu fosse morrer agora de uma coisa saberia que o que escolhi amei e o que amei me formou e o que eu sou, eu sou!
Qual herança deixaria se eu fosse morrer agora?
Minhas fotos,
minhas poesias,
minhas tentativas de domar meu coração,
um amor,
uma filha,
uma estrada interrompida,
uma lista de amigos,
um quadro que pintei um dia,
meus desenhos,
meus afetos,
deixaria minhas tentativas e não a confiança que não tenho em mim, isso eu levaria.
as coisas que guardo nas gavetas,
minhas músicas,
as coisas que escrevi e ninguém leu.
os livros que li,
meus depoimentos,
minha voz gravada em alguns registros da vida.
meus segredos, levaria, do contrário não seriam segredos.
os revelados, deixaria, para sempre ser o assunto de uma lembrança.
Mas há coisas que não posso deixar:
a imagem de uma noite de lua cheia,
o branco que vi das margaridas que gosto tanto,
o gosto de ganhar de presente um chocolate meio-amargo,
um beijo saboroso,
meus abraços, os que recebi, os que dei serão lembrados.
a sensação boa de alguém confiando em mim,
as lágrimas que recolhi,
confissões de um amigo,
o cheiro de um molho de tomate,
as lutas da minha alma,
ansiosas esperas pela felicidade,
o sol batendo no rosto,
e a infinita busca por mim mesma.
Se eu fosse morrer agora, teria vivido bem, posto que a vida é de alegria e tristeza, de encontro e desencontro, de paixões e afastamentos, de dias incrivelmente felizes e outros nem tanto.
Se eu fosse morrer agora de uma coisa saberia que o que escolhi amei e o que amei me formou e o que eu sou, eu sou!
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Líquido dos sábios
Tem sol lá fora,vento e gente pelas calçadas.
Parte de mim é contente a outra, não sei...
Agora, só queria um café, cheio de charme, daqueles de Buenos Aires...
Parte de mim é contente a outra, não sei...
Agora, só queria um café, cheio de charme, daqueles de Buenos Aires...
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