Quem sou eu

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Obras publicadas em Antologias Poéticas: Obra:Desconstrução Antologia:Casa lembrada, Casa perdida-Editora AG. Obra: Conquista Antologia:Sentido Inverso-Editora Andross. Obras: Nó e Falta de ar Antologia: Palavras Veladas-Editora Andross. Obras: Lembrança, Intento e Flecha Livro: Banco de Talentos. Obra: Alegoria Conceioneiro para a Língua Portuguesa-Portugal: Se eu fosse lua, fazia uma noite e Os poemas: Entre nós e Medida, publicados na Antologia Poética da Câmara Brasileira de Jovens escritores-RJ Sou brasileira, natural de São Paulo, Capital. Formada em Letras, Pedagogia e Psicopedagogia. Participei de vários concursos literários internacionais e nacionais.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Declaração

Ainda hoje quero te abraçar não pelo calor que me falta mas pela sensação de laço que me dá.
Ainda hoje quero te ouvir falar não pela certeza da pergunta mas pela beleza da resposta.
Ainda hoje quero te ver chegar não porque é ao meu lado o teu destino mas porque pode ficar.
Ainda hoje tomo contigo o vinho na mesma taça, festejo no mesmo tempo e vamos em um só corpo.
Ainda hoje encaro a vida.
Agradeço.
E se tudo me faltar  tu hás de me ser futuro, hás de me ser abrigo e amor.
E outra vez amor.
E se tudo te faltar hei de ser tua razão e recomeço. 
Quero correr o risco de exagerar no afeto, porque o dia é hoje.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sou mãe

Confesso o inexplicável,
coisa do céu...
Um grande, imenso universo resumido em sorriso,
que quando dentro de nós, é dever,
mas quando nascido  é virtude, um tratado de amor,
um cultivo de afeto,
"uma coisa com asas" que aprende o voo e ensina liberdade.
Que bons ventos a levem,
e que os bons a façam voltar cada vez que necessitar de refúgio, de abraço, de mim.
Sou, de um jeito encarnado, um pouco do que não se enxerga sem um corpo.
Sou feita de eternidade e habito em um coração endereçado.
Você, filha, me salvou do nada!


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Um sopro

Minha teimosia é conhecida, volto toda vez que um vento muda minha direção.
É coisa de ventania.
É coisa de enraizados.
É coisa para estas asas.
Tão cedo ainda para acelerar,
é certo que tempo é afoito,
mas a maturidade me dá novo olhar,
deixo que passe,
me acalmo em troca de paz.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Daqui de dentro...

Tiro poeiras das gavetas, dessas tantas que tenho,
mas antes de me sufocar,
peço licença a vida,
densa vida.
Antes da minha condenação,
levanto bandeira,
e mereço atenção,
e me faço em palavra,
acordando tudo que habita minha alma...
Vira festa.
Dançam a mesma música, tola e sã,
santa e vã,
heroína e vilã,
porque tudo acordou na alma.
Antes da minha condenação,
tiro doçura lá do fundo,
e tenho gavetas ao montes ainda...
Alguma há de ter absolvição,
em poucas horas,
me vai a delicadeza,
a poesia que cultivo fechando os olhos.
No fim desta gaveta termino do jeito que sou,
achando sempre que é a minha última...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Este mundo grande

Para seguir a vida, devo esculpir o lado ainda bruto que tenho,
me socorrer nas entranhas das coisas ainda avassaladoras,
transformar angustias em graça,
ficar bonita,
deixar o tempo á vontade para cumprir sua sina.
Para seguir a vida, devo ainda resistir,
aos meus porões,
aos meus escombros,
a tantas paixões.
É tarefa difícil,
dominar-se e,
manter olhos serenos enquanto piso a serpente.
Deixar-me vazar,
fluir,
escoar,
diluir.
Para seguir a vida,
ainda preciso me ver na pele de muitos,
dos que foram por caminhos que eu não teria a coragem de passar.
Para seguir a vida é preciso dar de cara com o mal,
sem covardia,
sem segredos,
sem desalojar o coração das mãos de Deus.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ouvi dizer

Tem horas que a gente inventa o que não existe, para não sofrer de realidade.
E vai por ai, de bem-me-quer  em  mal-me-quer se desfolhando,
A gente inventa um jeito de não morrer de solidão,
se faz  em voz no mundo e proclama em desertos.
A gente inventa reinos,
e acredita em  verdades alheias,
e cai em braços sonsos.
Tem horas que a gente inventa a realidade, para não descobrir-se forjado demais,
e vai por ai querendo um colo quente,
e braços que sempre nos esperaram,
proclamando verdades vivas,
as nossas.
Tranca a porta dos reinos,
e prefere ter casa para voltar,
e acaba de um jeito ou de outro,
aprendendo a cuidar das próprias feridas.
E fica forte para ter outras,
e aprende a deixar-se cuidar.
A gente sabe que precisa viver,
e vai hasteando o coração,
libertando a alma do mosto,
deixando as marcas do rosto,
entregues ao fluxo do tempo.
E que mal há em ter um tanto de ternura em meio a gente tão certeira?
História a gente inventa,
mas a nossa, a gente conta...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Feitos para a eternidade

É  o fim da coragem,
o abatimento contagia tanto quanto o viço.
De olhos postos nas frestas,
pouca luz nas arestas, de fé esgotada,
vai-se na dança da covardia.
Devidamente abatido, os sentidos ficam sonsos,
e vive-se declamando roteiros,
e só.
Simplesmente seguindo,
indo assim meio às cegas,
de soluço em soluço, na teimosia insana da lágrima.
A vida pode ser mais...
Janelas abertas,
uma prece que peleja pela luz,
o rasgar da confiança na alma apagada.
A vida pode ser mais razoável,
com desprendimento,
cansaço não tem a ver com a vida,
viver não cansa.
Mentira que a morte é descanso, mesmo depois dela, a vida continua...