Quem sou eu

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Obras publicadas em Antologias Poéticas: Obra:Desconstrução Antologia:Casa lembrada, Casa perdida-Editora AG. Obra: Conquista Antologia:Sentido Inverso-Editora Andross. Obras: Nó e Falta de ar Antologia: Palavras Veladas-Editora Andross. Obras: Lembrança, Intento e Flecha Livro: Banco de Talentos. Obra: Alegoria Conceioneiro para a Língua Portuguesa-Portugal: Se eu fosse lua, fazia uma noite e Os poemas: Entre nós e Medida, publicados na Antologia Poética da Câmara Brasileira de Jovens escritores-RJ Sou brasileira, natural de São Paulo, Capital. Formada em Letras, Pedagogia e Psicopedagogia. Participei de vários concursos literários internacionais e nacionais.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Casa vazia

Faço visita pra mim.
Fico sempre assim sem jeito,
se sento ou não,
se fico.
Sou estranha em mim.
Faço visita pra mim.
Trago um regalo,
espero passar a vontade de chorar,
não lido bem com o que não entendo.
O que é rústico vai ficar assim, sem retoque.
Sem meu toque.
Encalhado nos cantos que tenho.
Chego sempre sem avisos,
não lido bem com improvisos,
tenho sonhos certos.
Sou dobrável se não percebo cabrestos,
não me deixo domar.
Dia sento, dia não.
Dia escrevo, dia não.
Dia desses, quem sabe faço uma pintura,
há espaço nos meus cantos vivos.
Sei que me visito,
deixo sempre a casa vazia,
não fico.
Perfeição é um adorno falso.
Estou de passagem ainda,
imaginando caminhos,
costurando destinos.
Tecendo tapetes que não evitam as quedas.
De coração acortinado.
De abraços ainda lacrados.
Sem muito enfeite.
De passos lentos,
sem muito tempo.
Talvez eu mude mesmo,
bata de vez a porta,
tranque tudo que é "insatisfeito".
Derrube paredes.
Já sei descontruir e construir de novo,
depois o vento leva a poeira...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eu

É, o tempo, transforma a gente,
por fora revela-se nos olhos, nas mãos na cor do cabelo,
muda a  cor da gente,
o tom da fala,
a leveza do corpo.
O tempo reforma a gente,
vai ver por isso escrevo,
nasci tímida, coisa que dissolvo em poemas.
Nasci pouco hábil para dança, sempre adolescente nisso,
mas há ritmo em meus dedos...
Nasci um tanto medrosa sendo eu,
mas quando sou as letras, enfeitiço as linhas,
o texto,
me refaço,
me retoco e levanto bandeiras.
Nasci para falar pouco, mas falo o nome dos que amo,
em algum lugar falam meu nome também.
O tempo me fez cair de amores pelo silêncio.
Se continuo, não é por teimosia não,
o tempo tira o fôlego da gente,
continuo, porque o que não sou me constrange.
O tempo não irá me trazer menos timidez, tão pouco os passos lestos da dança,
nem coragem também.
O tempo não irá me trazer o que não tenho, vai levar o que tenho.
Mas tenho a liberdade da escolha.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Abri nova página, para quem sabe falar algo novo. Só percebo um anseio imperativo de escrever, confesso sem tema, nem poema. Não sei bem o que me guia agora. Tenho uma miopia encantada das coisas, acho que  me visto de poeta para não ficar com a palavra.
Poetas querem na verdade se livrar delas, missão quem sabe, carregá-las. Por vezes um fardo, por vezes fazem desabrochar, fazem chorar à toa, fazem doer um pouco, fazem bagunça no dia da gente. Mas poetas podem, são seres quase elficos, com permissão para  falar...
E os que não são? tem as palavras em matéria bruta, ainda por lapidar, há de se ter cuidado na fala, podem vir tão lúcidas que quebram o encanto do outro, desvestem afeto, tiram a paz, deformam  por dentro.
Não basta falar somente, por isso são entregues aos poetas, guardadores fiéis...tranformam feio em bonito, sem nada tirar da verdade. Poetas são pontes entre os que querem ser ouvidos.
Um conselho vai: tenha o seu!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Aguarde sua vez!

Não sou nada incomum,
vivo das coisas que sei,
cravejada de angustias,
marejando de saudade,
fabricando calma, diariamente.
Disfarço minhas fragilidades construindo muros,
quem chega,
chega devagar.
Aceito melhor os sofrimentos,
as perdas,
aprendendo a recolher-me sempre.
Bem-vindos são,
mas venham com jeito,
os desencontros complicam a vida.
Embora pareça frágil,
de vidro fino,
quebradiço,
Diariamente também,
me fortaleço com os insucessos,
me aceito comum,
não bebo,
não fumo,
não falo "palavrão",
não durmo tarde,
não exagero em nada.
Não sei mesmo se isso me faz bem,
mas sei bem,
quando me faz mal.
Sei-me assim,
sem muito alarde,
imprecisa,
passional,
ciumenta,
Não há quem me corrija o coração, quando amo.
Sempre lamento minha pressa,
por isso vou devagar,
observando bem,
não me obrigo mais,
me abrigo.
Sou viceral.



 






sábado, 10 de abril de 2010

Uma coisa ou outra

Passagem rápida pelo papel,
sem muita obrigação da palavra,
sem muita pretensão de verso, sem nenhuma angustia poética, só registro.
Só para sondar, levemente,
no fundo, no fundo para saber,
ver mesmo se continuam  comigo,
mesmo nos dias vazios,
imprecisos,
só para saber,
espiar,
se continuam comigo,
os versos...
Na "pena" do poeta, "com pena" do poeta!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

"en hora buena"

Vi nela, nas ruas e nas janelas,
o preço da dor e da elegância.
Cidade sem crianças, pais sem seus herdeiros,
mães gritando nas praças,
voz de quem passa...
Vi ensaios e devaneios,
nos passos do tango,
na graça,
na taça de vinho,
na mesa da festa.
Café com desenhos,
muros coloridos,
gente que também pede esmola.
Demora entender que é sofrido
o tremular da bandeira,
como se fizesse um pedido,
um apelo aos que recebe em seu solo.
É lindo o entardecer...
São parques abrigando a história,
casas,
ruas,
vi cenas nuas também.
Gente dormindo nas calçadas,
o frio batendo nas costas,
mesmo na Florida.
Vi a fé azul e amarela,
no gramado,
nas cadeiras,
no pé encantado,
na memória dos gols.
É lindo ver a avenida de luzes,
a noite,
ninguém diz,
o que revela-se na luz,
no dia,
na crua transparência das ruas.
Cidade fantástica,
regada a romance,
não nego, é linda.






é linda...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Coisas da vida...

Eu, nostalgicamente, pensando nos tempo oportunos...
Hoje, é o primeiro passeio da Ana Carolina com a escola, com a escola significa dizer sem mim ( a super mãe que penso ser, pois tem horas que até acho que posso voar!) de nada adiantam meus super poderes diante da independência dela.
Como eu, ela também se perde um pouco com isso, sem saber lidar com o crescimento, porque alterna em suas convicções, ora enche o peito e na ponta dos pés, sei lá, para parecer mais alta, diz: "já tenho 5 anos", ora se enfia no meu colo como se ainda tivesse 5 meses...
Controvérsia total.
Ora eu mesma, sabendo que preciso ensiná-la a dar seus próprios passos, carrego tudo no colo para evitar qualquer dor em seus pés ( metaforicamente claro!) Como já tive 5 anos, sei bem do que ainda virá pela frente até a escolha de uma profissão.
As fotos me assustam tanto, tenho umas 3x4 desde quando ela tinha 1 ano até os 4 anos, falta a carinha dos seus 5 anos ainda, e dos próximos que virão, anos ainda entregues a minha imaginação de mãe.
Sendo nós duas mulheres, por sorte minha, ou por sabedoria divina, posso entender suas pequenas vaidades, e tenho nela o prenúncio de uma longa amizade. Quero a Ana como amiga, isso é conquista que se faz, porque filha ela já é, não me escolheu como mãe.
Fico olhando o rostinho dela, procurando a mim mesma em seus traços, não acho, não faz mal...se eu puder entender o "avesso" dela, e se achar algo de mim ali, talvez esteja fazendo um bom trabalho.
Por dentro, na alma quero muito que sejamos iguais, pois o que tenho de bom, essencialmente, aprendi de Deus.
Ela é bonita, (adestrando minha "corujisse"), ela é bonita sim.
Tenho minhas limitações, que as vezes me arrancam noites de lágrimas, um choro cansado, misturado com sono, arrependimentos e por fim, o retorno da coragem.
Amanheço orgulhosa de mim, sensação que dura até a próxima noite de choro e vou me sustentando assim.
São as coisas da vida, passei de filha, a mãe. Ela, quem sabe, seguirá a mesma trajetória, repetindo as coisas exercendo a natureza das coisas, se assim for.
Até aqui, estamos indo bem, nós duas, entre "eu te amo mamãe" e o desamor instantâneo da disciplina, a parte mais difícil é essa, tentar tornar uma tela em branco em uma admirada obra de arte.
Com as "tintas" que tenho, com o amor que tenho, com inspiração divina.
Missão vai ver...