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Obras publicadas em Antologias Poéticas: Obra:Desconstrução Antologia:Casa lembrada, Casa perdida-Editora AG. Obra: Conquista Antologia:Sentido Inverso-Editora Andross. Obras: Nó e Falta de ar Antologia: Palavras Veladas-Editora Andross. Obras: Lembrança, Intento e Flecha Livro: Banco de Talentos. Obra: Alegoria Conceioneiro para a Língua Portuguesa-Portugal: Se eu fosse lua, fazia uma noite e Os poemas: Entre nós e Medida, publicados na Antologia Poética da Câmara Brasileira de Jovens escritores-RJ Sou brasileira, natural de São Paulo, Capital. Formada em Letras, Pedagogia e Psicopedagogia. Participei de vários concursos literários internacionais e nacionais.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ouvi dizer

Tem horas que a gente inventa o que não existe, para não sofrer de realidade.
E vai por ai, de bem-me-quer  em  mal-me-quer se desfolhando,
A gente inventa um jeito de não morrer de solidão,
se faz  em voz no mundo e proclama em desertos.
A gente inventa reinos,
e acredita em  verdades alheias,
e cai em braços sonsos.
Tem horas que a gente inventa a realidade, para não descobrir-se forjado demais,
e vai por ai querendo um colo quente,
e braços que sempre nos esperaram,
proclamando verdades vivas,
as nossas.
Tranca a porta dos reinos,
e prefere ter casa para voltar,
e acaba de um jeito ou de outro,
aprendendo a cuidar das próprias feridas.
E fica forte para ter outras,
e aprende a deixar-se cuidar.
A gente sabe que precisa viver,
e vai hasteando o coração,
libertando a alma do mosto,
deixando as marcas do rosto,
entregues ao fluxo do tempo.
E que mal há em ter um tanto de ternura em meio a gente tão certeira?
História a gente inventa,
mas a nossa, a gente conta...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Feitos para a eternidade

É  o fim da coragem,
o abatimento contagia tanto quanto o viço.
De olhos postos nas frestas,
pouca luz nas arestas, de fé esgotada,
vai-se na dança da covardia.
Devidamente abatido, os sentidos ficam sonsos,
e vive-se declamando roteiros,
e só.
Simplesmente seguindo,
indo assim meio às cegas,
de soluço em soluço, na teimosia insana da lágrima.
A vida pode ser mais...
Janelas abertas,
uma prece que peleja pela luz,
o rasgar da confiança na alma apagada.
A vida pode ser mais razoável,
com desprendimento,
cansaço não tem a ver com a vida,
viver não cansa.
Mentira que a morte é descanso, mesmo depois dela, a vida continua...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Meu lugar

Tanto nos quebra, nos trinca,
manter o coração sóbrio sem azedar a alma,
sem deixar de querer amigos e verdades, é quem sabe, obra divina.
Prezamos tanto por tradições,
e nessas correntes no perdemos tanto também.
De olhos postos em convenções,
nenhum vento  poderá desmanchar nossos cabelos,
nossos castelos,
mas esse mesmo vento faz tempestade em nossos desertos!
E vamos em nossos atalhos, sem sentir mais o pulso da vida,
cortamos caminho,
para chegar mais rápido e nunca aprendemos por quais deles não queremos mais andar.
Voltamos por eles,
ainda sem saber por onde ir.
Nós, tão cheios de nós,
não toleramos o vazio,
nossa gesta é a solidão demagoga,
que ainda irá nos fazer acreditar que não precisamos do outro.
Nos damos por vencidos, quando aceitamos que as coisas são assim mesmo,
e vai-se  a vida, num exorcismo de esperança.
Essa tal, da qual não se espera nada.
temos um oceano de vontades,
mas não sabemos nadar até terra firme...
Finitude é a matéria da qual somos feitos,
esfarela.
Nenhum grito pode atrair mais a atenção de Deus do que o silêncio de quem espera  por um milagre.
Nascer outra vez,
para viver e morrer com esperança!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Pequenos prazeres...

Minha paz tornou-se urgente,
toda gente deveria ser assim, em solitude seguir...
Hei de desaprender, para regeneração.
Hei de libertar a meninice que ainda me adoça.
Hei de me costurar por cada retalhação e farei em silêncio.
O que resta da minha história,  é minha,
hei de ter a vida nas mãos,
ir por onde o vento me leva,
para onde  o coração se enclina,
recuperando o viço,
convivendo com os anos,
devaniando o quanto me farte, sem  a ninguém explicar nada.
Hei de encaixar o que ainda está solto,
terminar a construção,
começar outra,
com o cimento da vontade,
com a beleza da força,
com a leveza da simplicidade.
Hei de deixar bonita minha existência.
Hei de seguir habitável, enfeitada com verdade,
suprida de alma,
para que venham ou anjos,
ou demônios, e que desses eu me afaste.
Hei de viver com pequenos prazeres,
sabendo que conviver com príncipes,
não é o mesmo que ser amiga do Rei.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Uma borboletinha

Hoje eu vi a "borboletinha", tem asas coloridas e mora em uma flor,
ela sai de manhãzinha para passear na vizinhança,
fala "oi" para as crianças e sempre volta depois.

Eu que sou pequena, ainda vou crescer,
se eu fosse borboleta teria as asas azuis da cor do mar, mas borboleta sabe nadar?

Eu seria rápida e feliz,
borboleta tem nariz?

Eu teria cabelo comprido e "loirinho",
e iria andar de bicicleta com um passarinho,
Borboleta tem um ninho?

Eu ainda vou crescer, tenho tanto que aprender.

Se eu fosse borboleta iria contar até três,
abrir as minhas asas coloridas, e voar pelas estradas floridas.

Voltar no final da tarde e descansar, para no dia seguinte,
acordar de manhãzinha, conversar com a  vizinha,
falar "oi" para as crianças, para depois voar.

(Poeminha para Duda minha amiguinha, meiga e linda de 6anos...)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Eu

Ainda penso assim, que a minha alma é serva,
mas meu corpo cumpre a pena de dominar-se, triste sina.
Por tanto esforço que faço sobrevivo,
mas confesso que nem sempre tenho olhos bons,
nem minha boca abriga boa palavra,
nem eu, com tudo que reúno me faço grata presença.
E sei bem,
o que falo cria asas,
mas o que faço, raíz.
Para florescer, me vejo em bicas, suo.
Mas, no meu íntimo,
ainda penso nos frutos...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Cadência

Ainda dá tempo,
não reviramos tudo aqui dentro porque acreditamos em nossa desordem,
a voz saiu porque a alma reclama,
não cabe mais tanta passividade.
Ainda dá tempo,
não andamos aos tropeços por não saber laçar nossos cadarços,
caímos de exaustão e fica tão difícil caminhar,
que não pensamos mais no passo.
Ainda dá tempo,
não dançamos a mesma música por não saber dar voltas ao corpo,
vamos de quietude mesmo, e há quem prefira somente sentir o vento que volta do rodopio dos outros.
Ainda dá tempo,
não passamos a enxergar só quando vemos,
são os olhos a melhor parte que temos,
olhos bons,
e todo o corpo será.
Ainda dá tempo,
não deixamos as meninices só porque envelhecemos,
mas há de caber em nós aquilo que nos tornamos.
Ainda dá tempo para reconsiderações,
há ar nos pulmões,
e a vida pela frente...