Quem sou eu

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Obras publicadas em Antologias Poéticas: Obra:Desconstrução Antologia:Casa lembrada, Casa perdida-Editora AG. Obra: Conquista Antologia:Sentido Inverso-Editora Andross. Obras: Nó e Falta de ar Antologia: Palavras Veladas-Editora Andross. Obras: Lembrança, Intento e Flecha Livro: Banco de Talentos. Obra: Alegoria Conceioneiro para a Língua Portuguesa-Portugal: Se eu fosse lua, fazia uma noite e Os poemas: Entre nós e Medida, publicados na Antologia Poética da Câmara Brasileira de Jovens escritores-RJ Sou brasileira, natural de São Paulo, Capital. Formada em Letras, Pedagogia e Psicopedagogia. Participei de vários concursos literários internacionais e nacionais.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Um sopro

Minha teimosia é conhecida, volto toda vez que um vento muda minha direção.
É coisa de ventania.
É coisa de enraizados.
É coisa para estas asas.
Tão cedo ainda para acelerar,
é certo que tempo é afoito,
mas a maturidade me dá novo olhar,
deixo que passe,
me acalmo em troca de paz.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Daqui de dentro...

Tiro poeiras das gavetas, dessas tantas que tenho,
mas antes de me sufocar,
peço licença a vida,
densa vida.
Antes da minha condenação,
levanto bandeira,
e mereço atenção,
e me faço em palavra,
acordando tudo que habita minha alma...
Vira festa.
Dançam a mesma música, tola e sã,
santa e vã,
heroína e vilã,
porque tudo acordou na alma.
Antes da minha condenação,
tiro doçura lá do fundo,
e tenho gavetas ao montes ainda...
Alguma há de ter absolvição,
em poucas horas,
me vai a delicadeza,
a poesia que cultivo fechando os olhos.
No fim desta gaveta termino do jeito que sou,
achando sempre que é a minha última...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Este mundo grande

Para seguir a vida, devo esculpir o lado ainda bruto que tenho,
me socorrer nas entranhas das coisas ainda avassaladoras,
transformar angustias em graça,
ficar bonita,
deixar o tempo á vontade para cumprir sua sina.
Para seguir a vida, devo ainda resistir,
aos meus porões,
aos meus escombros,
a tantas paixões.
É tarefa difícil,
dominar-se e,
manter olhos serenos enquanto piso a serpente.
Deixar-me vazar,
fluir,
escoar,
diluir.
Para seguir a vida,
ainda preciso me ver na pele de muitos,
dos que foram por caminhos que eu não teria a coragem de passar.
Para seguir a vida é preciso dar de cara com o mal,
sem covardia,
sem segredos,
sem desalojar o coração das mãos de Deus.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ouvi dizer

Tem horas que a gente inventa o que não existe, para não sofrer de realidade.
E vai por ai, de bem-me-quer  em  mal-me-quer se desfolhando,
A gente inventa um jeito de não morrer de solidão,
se faz  em voz no mundo e proclama em desertos.
A gente inventa reinos,
e acredita em  verdades alheias,
e cai em braços sonsos.
Tem horas que a gente inventa a realidade, para não descobrir-se forjado demais,
e vai por ai querendo um colo quente,
e braços que sempre nos esperaram,
proclamando verdades vivas,
as nossas.
Tranca a porta dos reinos,
e prefere ter casa para voltar,
e acaba de um jeito ou de outro,
aprendendo a cuidar das próprias feridas.
E fica forte para ter outras,
e aprende a deixar-se cuidar.
A gente sabe que precisa viver,
e vai hasteando o coração,
libertando a alma do mosto,
deixando as marcas do rosto,
entregues ao fluxo do tempo.
E que mal há em ter um tanto de ternura em meio a gente tão certeira?
História a gente inventa,
mas a nossa, a gente conta...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Feitos para a eternidade

É  o fim da coragem,
o abatimento contagia tanto quanto o viço.
De olhos postos nas frestas,
pouca luz nas arestas, de fé esgotada,
vai-se na dança da covardia.
Devidamente abatido, os sentidos ficam sonsos,
e vive-se declamando roteiros,
e só.
Simplesmente seguindo,
indo assim meio às cegas,
de soluço em soluço, na teimosia insana da lágrima.
A vida pode ser mais...
Janelas abertas,
uma prece que peleja pela luz,
o rasgar da confiança na alma apagada.
A vida pode ser mais razoável,
com desprendimento,
cansaço não tem a ver com a vida,
viver não cansa.
Mentira que a morte é descanso, mesmo depois dela, a vida continua...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Meu lugar

Tanto nos quebra, nos trinca,
manter o coração sóbrio sem azedar a alma,
sem deixar de querer amigos e verdades, é quem sabe, obra divina.
Prezamos tanto por tradições,
e nessas correntes no perdemos tanto também.
De olhos postos em convenções,
nenhum vento  poderá desmanchar nossos cabelos,
nossos castelos,
mas esse mesmo vento faz tempestade em nossos desertos!
E vamos em nossos atalhos, sem sentir mais o pulso da vida,
cortamos caminho,
para chegar mais rápido e nunca aprendemos por quais deles não queremos mais andar.
Voltamos por eles,
ainda sem saber por onde ir.
Nós, tão cheios de nós,
não toleramos o vazio,
nossa gesta é a solidão demagoga,
que ainda irá nos fazer acreditar que não precisamos do outro.
Nos damos por vencidos, quando aceitamos que as coisas são assim mesmo,
e vai-se  a vida, num exorcismo de esperança.
Essa tal, da qual não se espera nada.
temos um oceano de vontades,
mas não sabemos nadar até terra firme...
Finitude é a matéria da qual somos feitos,
esfarela.
Nenhum grito pode atrair mais a atenção de Deus do que o silêncio de quem espera  por um milagre.
Nascer outra vez,
para viver e morrer com esperança!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Pequenos prazeres...

Minha paz tornou-se urgente,
toda gente deveria ser assim, em solitude seguir...
Hei de desaprender, para regeneração.
Hei de libertar a meninice que ainda me adoça.
Hei de me costurar por cada retalhação e farei em silêncio.
O que resta da minha história,  é minha,
hei de ter a vida nas mãos,
ir por onde o vento me leva,
para onde  o coração se enclina,
recuperando o viço,
convivendo com os anos,
devaniando o quanto me farte, sem  a ninguém explicar nada.
Hei de encaixar o que ainda está solto,
terminar a construção,
começar outra,
com o cimento da vontade,
com a beleza da força,
com a leveza da simplicidade.
Hei de deixar bonita minha existência.
Hei de seguir habitável, enfeitada com verdade,
suprida de alma,
para que venham ou anjos,
ou demônios, e que desses eu me afaste.
Hei de viver com pequenos prazeres,
sabendo que conviver com príncipes,
não é o mesmo que ser amiga do Rei.