Se eu tivesse uma casa na árvore, me guardaria lá.
Quem sabe me visitaria um passarinho afinado,
uma nuvem para eu brincar,
e borboletas que saibam falar.
Com um pouco de água da chuva faria um café,
um bolo de folhas com cerejas e até a mesa iria arrumar.
Seria um belo encontro ...
Que fossem embora a nuvem, as borboletas e o sabiá,
iriam felizes por terem me visto,
como aprendi a melodias dos bichos,
já sei que posso assoviar.
Se eu tivesse uma casa na árvore, certamente não teria escadas
nem cordas,
nenhum jeito de descer.
Ficaria ali guardada,
feliz,
feito a princesa encantada,
no meio da madrugada,
chamaria estrelas para entrar.
Pela manhã, minha casa, que acordaria bem devagar
traria o sol, calmamente para um beijo me dar.
Teríamos tardes aquecidas,
flores coloridas,
e um pouco da luz da lua para o jantar.
Se eu tivesse uma casa na árvore,
seria festa lá dentro,
pois dançaria com o vento,
e as borboletas em movimento,
aprisionariam o tempo, para o tempo não passar.
Se eu tivesse uma casa na árvore,
teria uma parede de poemas,
com versos de amor e saudade,
não desses que "vampirizam" as energias,
mas que rasgam de alegria um sorriso no meio da tarde.
Teria também tela e tinta,
para a paisagen extinta, quem sabe se eternizar.
Teria fotografias,
brinquedos da minha infância,
e uma tremenda ânsia por saber cada vez mais.
Se eu tivesse uma casa na árvore,
certamente, agora
eu estaria por lá.
Estes versos são frutos de um desejo "encubado". Pretendem ser poemas.São reflexos de pessoas que amam as palavras e que também me ensinaram a amá-las. Abro minhas gavetas, na tentativa de dividir o verbo e trazer á luz o que poderia "amarelar" com tempo. Tempo este que seguirá, independente de minhas escolhas. Escolhi então, repartir palavras e compartilhar a mim mesma.
Quem sou eu
- Eliana Holtz
- Obras publicadas em Antologias Poéticas: Obra:Desconstrução Antologia:Casa lembrada, Casa perdida-Editora AG. Obra: Conquista Antologia:Sentido Inverso-Editora Andross. Obras: Nó e Falta de ar Antologia: Palavras Veladas-Editora Andross. Obras: Lembrança, Intento e Flecha Livro: Banco de Talentos. Obra: Alegoria Conceioneiro para a Língua Portuguesa-Portugal: Se eu fosse lua, fazia uma noite e Os poemas: Entre nós e Medida, publicados na Antologia Poética da Câmara Brasileira de Jovens escritores-RJ Sou brasileira, natural de São Paulo, Capital. Formada em Letras, Pedagogia e Psicopedagogia. Participei de vários concursos literários internacionais e nacionais.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Colo
Vem cuidar de mim, enquanto não sei crescer...
E ando feito um pirata saqueando minha emoção.
Feito um ladrão que nem sabe o que levar,
e na bagunça rouba minha intenção.
Cuida de mim que sou assim,
meio contente, meio triste,
meio insistente,
meio insolente.
E veja se insiste porque de mim quem cuida sente,
a doçura e o lamento,
a brandura e o sofrimento,
a loucura e a sanidade.
Cuida de mim que sou saudade.
Cuida de mim que tenho a idade do meu espelho.
Que visto vermelho para sorrir,
e vejo tudo em preto e branco.
Cuida de mim enquanto preciso,
enquanto consigo,
enquanto não mudo.
Cuida do meu mundo,
Seja meu bem querer,
onde eu possa ter um sonho de cada vez.
Cuida de mim para eu crêr
que há uma estrada para meus pés,
um "punhadinho" de fé
e uma divisão.
Antes de mim, depois de você.
Cuida dos meus " porquês"
das minhas indecisões,
dos meus cansaços,
cuida desse abraço que não é de ninguém.
Cuida um pouquinho disso que sou,
de como estou,
me faça adormecer e acordar melhor.
Sem ofensas e sem promessas,
sem pressa.
Cuida dos meus defeitos.
do que foi feito da minha história,
varre minha memória,
crie um deserto,
cuida da minha volta.
É certo que quero o ar,
um pouco das gotas do mar,
e coisas para gostar.
É certo que um dia desses,
forte, serei " habitável",
um tipo de esconderijo,
um modo de afeição.
Quem sabe o seu abrigo.
Por enquanto... só cuida de mim.
E ando feito um pirata saqueando minha emoção.
Feito um ladrão que nem sabe o que levar,
e na bagunça rouba minha intenção.
Cuida de mim que sou assim,
meio contente, meio triste,
meio insistente,
meio insolente.
E veja se insiste porque de mim quem cuida sente,
a doçura e o lamento,
a brandura e o sofrimento,
a loucura e a sanidade.
Cuida de mim que sou saudade.
Cuida de mim que tenho a idade do meu espelho.
Que visto vermelho para sorrir,
e vejo tudo em preto e branco.
Cuida de mim enquanto preciso,
enquanto consigo,
enquanto não mudo.
Cuida do meu mundo,
Seja meu bem querer,
onde eu possa ter um sonho de cada vez.
Cuida de mim para eu crêr
que há uma estrada para meus pés,
um "punhadinho" de fé
e uma divisão.
Antes de mim, depois de você.
Cuida dos meus " porquês"
das minhas indecisões,
dos meus cansaços,
cuida desse abraço que não é de ninguém.
Cuida um pouquinho disso que sou,
de como estou,
me faça adormecer e acordar melhor.
Sem ofensas e sem promessas,
sem pressa.
Cuida dos meus defeitos.
do que foi feito da minha história,
varre minha memória,
crie um deserto,
cuida da minha volta.
É certo que quero o ar,
um pouco das gotas do mar,
e coisas para gostar.
É certo que um dia desses,
forte, serei " habitável",
um tipo de esconderijo,
um modo de afeição.
Quem sabe o seu abrigo.
Por enquanto... só cuida de mim.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
2007
Se apaixonam por tantas coisas as pessoas
Por retratos antigos,
por amigos,
por amigos dos amigos.
Por flores de outros jardins,
por Querubins,
Serafins,
que de tanto olhar para o céu,
se apaixonam por nuvens.
Se apaixonam por conversas raras,
por detalhes,
pela cor dos olhos,
pelo impossível.
As pessoas se apaixonam pelo inesperado,
por coisas loucas,
por si mesmas quando se permitem,
quando ajudam e são ajudadas.
As pessoas se apaixonam pelo gosto do suco de laranja,
pela passagem do sol no final da tarde,
pela casinha amarela que fica no caminho de sempre.
Pelo toque do telefone,
pela hora do almço,
pelo aroma do café,
pelos rabiscos do outro num papelzinho qualquer.
Pelo som da voz,
pela cor da roupa.
Por maças,
Por sorriso.
Pelo jeito de chegar.
Por perfume.
Por canetas.
Por cadernos.
Por conchinhas do mar.
Se apaixonam pelo o que não querem se apaixonar.
Por retratos antigos,
por amigos,
por amigos dos amigos.
Por flores de outros jardins,
por Querubins,
Serafins,
que de tanto olhar para o céu,
se apaixonam por nuvens.
Se apaixonam por conversas raras,
por detalhes,
pela cor dos olhos,
pelo impossível.
As pessoas se apaixonam pelo inesperado,
por coisas loucas,
por si mesmas quando se permitem,
quando ajudam e são ajudadas.
As pessoas se apaixonam pelo gosto do suco de laranja,
pela passagem do sol no final da tarde,
pela casinha amarela que fica no caminho de sempre.
Pelo toque do telefone,
pela hora do almço,
pelo aroma do café,
pelos rabiscos do outro num papelzinho qualquer.
Pelo som da voz,
pela cor da roupa.
Por maças,
Por sorriso.
Pelo jeito de chegar.
Por perfume.
Por canetas.
Por cadernos.
Por conchinhas do mar.
Se apaixonam pelo o que não querem se apaixonar.
Pessoas se apaixonam e ainda vão se apaixonar.
Pelas mesmas coisas de antes,
por coisas novas,
por livros,
por versos,
borboletas e por histórias e músicas.
Até irão se casar...
e depois se lamentar, e se apaoxinar outra vez.
Pessoas são assim "apaixonáveis",
apaixonantes,
e vão levar suas vidas em busca
do outro na paisagem e nas coisas...
até que tudo vire amor.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
De 1971 até ....
Nem sempre sei como começar,
Quem faz poesia deve pensar,
em um começo?
E um fim?
Mas me esqueço.
que a vida é representar.
Faço de conta.
Finjo, ser a "menina bonita do laço de fita".
Fada encantada do meu conto.
No canto da casa, cantar.
Música que invento.
Som de lamento.
Meio desvairada.
Desafinada.
Desfeita em lágrimas.
Aí que sentimento!
Sou bailarina, quando quero dançar.
Faço um teatro dos "eus" que tenho.
Venho apressada me exibir.
Quem sabe assim consigo viver e não apenas existir.
Invejo os poetas,
Quero ser profeta cheio de palavras e fé.
Não quero mais poesia solúvel como café.
E vejo que a vida é feita de "des” e “atés”.
Aí que brevidade!
Ver desse jeito,
O fim e o começo.
Quem disse que mereço,
uma placa,
Uma lápide,
com data de nascimento
e data de falecimento.
Aí que desfecho!
Ver que a vida é um trecho,
da história que quero contar.
Ter um fim, ter um começo...
São poucas as linhas que tenho
Para tudo que quero e acredito.
E para um fim esquisito,
Precisam me enfeitar.
Com um vestido decotado,
se moça eu for embora.
Com um brinco e um colar.
Se eu demorar, colar de senhora.
Irão falar dos afetos e desafetos
que viram me afetar.
Entre risos e desalentos, até o enterro acabar.
Aí que fim, não mereço!
Por isso é que me esqueço.
Dos fins e dos começos.
Tentativa de manter vivo,
tudo que irá morrer.
Pois vejo que nesse teatro,
este que represento,
só me resta fenecer.
Quem faz poesia deve pensar,
em um começo?
E um fim?
Mas me esqueço.
que a vida é representar.
Faço de conta.
Finjo, ser a "menina bonita do laço de fita".
Fada encantada do meu conto.
No canto da casa, cantar.
Música que invento.
Som de lamento.
Meio desvairada.
Desafinada.
Desfeita em lágrimas.
Aí que sentimento!
Sou bailarina, quando quero dançar.
Faço um teatro dos "eus" que tenho.
Venho apressada me exibir.
Quem sabe assim consigo viver e não apenas existir.
Invejo os poetas,
Quero ser profeta cheio de palavras e fé.
Não quero mais poesia solúvel como café.
E vejo que a vida é feita de "des” e “atés”.
Aí que brevidade!
Ver desse jeito,
O fim e o começo.
Quem disse que mereço,
uma placa,
Uma lápide,
com data de nascimento
e data de falecimento.
Aí que desfecho!
Ver que a vida é um trecho,
da história que quero contar.
Ter um fim, ter um começo...
São poucas as linhas que tenho
Para tudo que quero e acredito.
E para um fim esquisito,
Precisam me enfeitar.
Com um vestido decotado,
se moça eu for embora.
Com um brinco e um colar.
Se eu demorar, colar de senhora.
Irão falar dos afetos e desafetos
que viram me afetar.
Entre risos e desalentos, até o enterro acabar.
Aí que fim, não mereço!
Por isso é que me esqueço.
Dos fins e dos começos.
Tentativa de manter vivo,
tudo que irá morrer.
Pois vejo que nesse teatro,
este que represento,
só me resta fenecer.
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Contranarciso
em mim
meu vejo
o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
o outro
que há em mim
é você
você
e você
assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós
Paulo Leminski
meu vejo
o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
o outro
que há em mim
é você
você
e você
assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós
Paulo Leminski
Não Sei
Não sei ... se a vida é curta ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita.
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja curta,nem longa demais
Mas que seja intensa
Verdadeira, pura ...Enquanto durar.
Cora Coralina
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita.
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja curta,nem longa demais
Mas que seja intensa
Verdadeira, pura ...Enquanto durar.
Cora Coralina
Mário Quintana e o seu primeiro amor falavam de coisas que achavam bobas. Eles também não sabiam que levariam toda a vida procurando uma coisa assim.
'O meu primeiro amor e eu sentávamos numa pedraQue havia num terreno baldio entre as nossas casas.Falávamos de coisas bobas,Isto é, que a gente achava bobasComo qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos.Crianças...Parecia que entre um e outro nem havia ainda separação de sexosA não ser o azul imenso dos olhos dela,Olhos que eu não encontrava em ninguém mais,Nem no cachorro e no gato da casa,Que tinham apenas a mesma fidelidade sem compromissoE a mesma animal - ou celestial - inocência,Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu:Não, não importava as coisas bobas que diséssemos.Éramos um desejo de estar perto, tão pertoQue não havia ali apenas duas encantadas criaturasMas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,Enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se, não sabiaQue eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida..."
Mário Quintana
Mário Quintana
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